Acórdão do Tribunal da Relação do Porto | |||
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| Nº Convencional: | JTRP00000376 | ||
| Relator: | LOPES FURTADO | ||
| Descritores: | INVESTIGAçãO OFICIOSA DE PATERNIDADE RECLAMAçãO DO QUESTIONARIO PROVA PERICIAL PRINCIPIO DO CONTRADITORIO EXCLUSIVIDADE DE RELAçõES SEXUAIS RESPOSTAS AOS QUESITOS - ANULAçãO | ||
| Nº do Documento: | RP199106130124613 | ||
| Data do Acordão: | 06/13/1991 | ||
| Votação: | UNANIMIDADE | ||
| Texto Integral: | N | ||
| Privacidade: | 1 | ||
| Meio Processual: | APELAçãO. | ||
| Decisão: | ANULADO O JULGAMENTO. | ||
| Área Temática: | DIR CIV - DIR FAM. DIR PROC CIV. | ||
| Legislação Nacional: | CPC67 ART3 ART517 ART600 N2 ART602 ART632 ART633 ART712 N1 N2. CCIV66 ART349. | ||
| Jurisprudência Nacional: | ASS STJ DE 1983/06/21 IN DR DE 1983/08/27. AC STJ DE 1984/11/08 IN BMJ341 PAG388. AC STJ DE 1985/02/13 IN BMJ344 PAG361. | ||
| Sumário: | 1- Tendo sido quesitados todos os factos relevantes, e em relação a eles que os direitos de defesa, designadamente com a produção de prova testemunhal, se afirmam, não sendo admissivel que se pretenda a quesitação de outros factos, que não são necessarios, so para que o numero de testemunhas possa ser maior. 2- Se a prova pericial apontar no sentido de uma paternidade praticamente provada, o colectivo tera naturalmente, com base nisso, de considerar provado a exclusividade das relações sexuais da mãe do investigante com o investigado no periodo legal de concepção. 3- O resultado de um espermagrama, feito em laboratorio particular e apenas junto ao processo, pelo reu, ja na Relação, não pode ser atendido por não se respeitar o principio do contraditorio. 4- A realização desse exame deveria ter sido requerida pelo reu ou pelo autor, na altura propria, para poder ser efectuado no Instituto de Medicina Legal e depois notificado as partes que exerceriam, querendo, os direitos que a contraditoriedade implica. 5- E deficiente a resposta "provado", dado ao unico quesito em que se pergunta se a mãe do menor não teve relações sexuais com outro homem que não fosse o reu, designadamente nos primeiros 120 dias dos 300 que precederam o nascimento, quando e certo que consta dos autos que ela ja era viuva. 6- A presunção de que a mãe do menor teve relações sexuais com outro homem, o falecido marido, para alem do investigado e de natureza judicial, decorrente das maximas da experiencia, dos juizos correntes de probabilidade, dos principios da logica ou dos proprios dados da intuição humana. 7- Mas, uma presunção de tal natureza, por mais forte que se apresente, não pode suscitar a alteração dada pelo colectivo se não se verificar qualquer das situações previstas no art712, n1, do C.P.C. 8- A norma do n2 do art712 do C.P.C., e apliavel mesmo quando a irregularidade da resposta seja consequencia da irregularidade do questionario. 9- A Relação não pode ordenar que um quesito formulado seja substituido por outro, em exacta correspondencia com o alegado. 10- Ao tribunal de recurso não compete dizer se na 1. instancia, devem ou não realizar-se determinadas diligencias probatorias. | ||
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