Acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa | |||
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| Nº Convencional: | JTRL00008534 | ||
| Relator: | GUILHERME PIRES | ||
| Descritores: | CONTRAVENÇÃO MULTA APLICÁVEL SINDICATO ASSISTENTE EM PROCESSO PENAL FILIAÇÃO SINDICAL APLICAÇÃO DA LEI CONCORRÊNCIA DE CONVENÇÕES ASSOCIAÇÃO SINDICAL OUTORGANTE CONVENÇÃO COLECTIVA DE TRABALHO DURAÇÃO SUBSTITUIÇÃO | ||
| Nº do Documento: | RL199704160006724 | ||
| Data do Acordão: | 04/16/1997 | ||
| Votação: | UNANIMIDADE | ||
| Texto Integral: | N | ||
| Privacidade: | 1 | ||
| Meio Processual: | REC PENAL. | ||
| Decisão: | NEGADO PROVIMENTO. | ||
| Área Temática: | DIR TRAB - DIR PENAL LAB / REG COL TRAB. | ||
| Legislação Nacional: | CPT81 ART181. DL 519-C1/79 DE 1979/12/29 ART7 N1 ART11 ART14 N2. AE 1980/11/28 IN BTE 3/81 DE 1981/01/22. AE 1993. AE 1995. | ||
| Jurisprudência Nacional: | AC STJ DE 1992/04/02 IN BMJ N416 PAG485. AC STJ DE 1993/01/20 IN CJSTJ ANO1993 TI PAG238. AC RP DE 1993/04/26 IN CJ ANO1993 TII PAG254. | ||
| Sumário: | I - As convenções colectivas de trabalho obrigam as entidades patronais que as subscrevem e as inscritas nas associações patronais signatárias, bem como os trabalhadores ao seu serviço, quer sejam membros das associações sindicais celebrantes, quer das associações sindicais representadas pelas associações sindicais celebrantes. II - Consagra-se, asssim, o princípio da filiação, nos termos do qual as cláusulas normativas dos IRCTs somente se aplicam às relações de trabalho existentes entre trabalhadores e patrões inscritos nas associações outorgantes. III - O âmbito pessoal de aplicação dos IRCTs afere-se pela dupla e simultânea conexão com os seus destinatários - trabalhadores e patrões, individualmente considerados - aplicando-se apenas aos trabalhadores filiados em associação sindical que, directa ou indirectamente, tenha outorgado na contratação colectiva e que prestam trabalho a uma entidade patronal que, individual ou colectivamente, também haja intervindo na mesma contratação. IV - Nao há concorrência de instrumentos de regulamentação se, numa empresa, vigorar mais do que uma convenção colectiva, todas celebradas por sindicatos diferentes, para a mesma categoria de trabalhadores; nesse caso, cada uma dessas convenções aplica-se aos inscritos no Sindicato celebrante ou representado pela associação sindical. V - O AE assinado em 28-11-1980 não é concorrente com qualquer outro e, nomeadamente, com os acordos de revisão do AE, de 1993 e de 1995, porque estes não foram subscritos pelo Sindicato dos Ferroviários do Centro - assistente nestes autos - motivo por que aqueles acordos de revisão não eram aplicáveis aos trabalhadores filiados neste Sindicato, porque este os não subscreveu. VI - Dado que não se verifica "in casu", a concorrência de convenções prevista no art. 14 do DL n. 519-C1/79, de 29 de Dezembro, e visto as convenções colectivas se manterem em vigor até serem substituídas por outro IRCT, não podia a CP aplicar, como fez, aqueles acordos de revisão aos trabalhadores filiados no Sindicato dos Ferroviários do Centro, porque os não obrigavam. VII - Com esta conduta, a CP sempre terá actuado com dolo necessário, face à sua actuação voluntária em aplicar aos trabalhadores filiados naquele Sindicato instrumentos de contratação colectiva de trabalho que os não vinculavam, naquele período temporal. | ||