Acórdão do Tribunal Central Administrativo Norte | |
| Processo: | 00026/13.4BEPRT |
| Secção: | 2ª Secção - Contencioso Tributário |
| Data do Acordão: | 01/12/2017 |
| Tribunal: | TAF do Porto |
| Relator: | Cristina Travassos Bento |
| Descritores: | OPOSIÇÃO GERÊNCIA DE FACTO RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA ÓNUS DA PROVA |
| Sumário: | I - Ao abrigo do regime ínsito no artigo 24º da LGT é pressuposto da responsabilidade subsidiária o exercício de facto da gerência, cuja prova impende sobre a Fazenda Pública, enquanto entidade que ordena a reversão da execução. II - É gerente de facto quem, actuando em nome de uma sociedade, pratica actos tendo em vista a concretização do objecto social daquela. III - Não resultando do probatório a prática de tais actos típicos de gerência à data do terminus do prazo legal do pagamento ou entrega da dívida tributária, deve o Oponente ser declarado parte ilegítima e determinada, quanto à sua pessoa, a extinção da execução fiscal contra ele revertida.* * Sumário elaborado pelo Relator. |
| Recorrente: | A... |
| Recorrido 1: | Autoridade Tributária e Aduaneira |
| Decisão: | Concedido provimento ao recurso |
| Aditamento: |
| Parecer Ministério Publico: |
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| Decisão Texto Integral: | Acordam em conferência, os Juízes que compõem a Secção de Contencioso Tributário do Tribunal Central Administrativo Norte: I. Relatório A…, com o NIF 1…, e demais sinais dos autos, veio recorrer da sentença do Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto que julgou improcedente a oposição por si deduzida no processo de execução fiscal n°3190201101113771 e aps, instaurado originariamente contra “H... Consultadoria Contabilidade e Gestão, S.A,”, para cobrança coerciva de dívidas provenientes de IVA do ano de 2007. O Recorrente terminou as suas alegações de recurso formulando as seguintes conclusões: 1. EM PRIMEIRO LUGAR, CUMPRE REALÇAR QUE NÃO FOI CARREADA PARA OS AUTOS QUALQUER PROVA INDICATIVA DO EXERCICIO DE FUNÇÕES DE GERÉNCIA POR PARTE DO OPONENTE AQUANDO DA OCORRÉNCIA DOS FACTOS QUE ORIGINARAM A DIVIDA EXEQUENDA. NA VERDADE, 2. ESSA GESTÃO DE FACTO DA ORIGINÁRIA DEVEDORA, TEM DE ESTAR PROVADA NOS AUTOS, MAIS, ESSA PROVA DA GESTÃO DE FACTO É ESSENCIAL PARA QUE O OPONENTE POSSA SER REVERTIDO POR RESPONSABILIDADES DA ORIGINARIA DEVEDORA, CABENDO A ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA A PROVA DESSA GERÊNCIA DE FACTO. E ISTO, 3. INDEPENDENTEMENTE DO QUE O EXECUTADO POR REVERSÃO POSSA VIR ALEGAR. DE FACTO, 4. O ARTIGO 74.° DA L.G.T. É PEREMPTÓRIO AO DISPOR QUE O ÓNUS DA PROVA DOS FACTOS CONSTITUTIVOS DOS DIREITOS DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA OU DOS CONTRIBUINTES RECAI SOBRE QUEM OS INVOQUE. ALIÁS, 5. NESTE MESMO SENTIDO ENCONTRAMOS, IGUALMENTE, O ART. 342.° DO CÓDIGO CIVIL E O ARTIGO 88.° DO CÓDIGO DE PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. 6. A «GESTÃO DE FACTO” É UM FACTO CONSTITUTIVO DO DIREITO QUE A ENTIDADE EXEQUENTE (AT) PRETENDE EXERCER, CABENDO-LHE A PROVA DE TAL FACTO. ORA, 7. DOS PRESENTES AUTOS RESULTA CLARAMENTE QUE A ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA NÃO CUMPRIU COM O ÓNUS DA PROVA QUE LHE INCUMBIA, NÃO TENDO ALEGADO SUFICIENTEMENTE E MUITO MENOS PROVADO. A GERÊNCIA DE FACTO DO REVERTIDO, ORA OPONENTE, LIMITANDO-SE A PROFERIR JUÍZOS CONCLUSIVOS SOBRE UMA EVENTUAL GERÊNCIA DE FACTO, DESACOMPANHADOS DE QUALQUER ELEMENTO DE PROVA. PARA ALÉM DISSO, 8. ESQUECE-SE A ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA QUE NÃO É AO OPONENTE QUE CABE O ÓNUS DA PROVA, MAS SIM A ELA PRÕPRIA. E, 9. NÃO TENDO A ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA LOGRADO OBTER TAL PROVA NO PROCESSO, TEMOS DE CONCLUIR QUE A DOUTA DECISÃO TINHA DE CONSIDERAR A PRESENTE OPOSIÇÃO PROCEDENTE, POR FALTA DE PROVA DA GESTÃO DE FACTO DO REVERTIDO, AQUI OPONENTE. 10. O RECORRENTE NUNCA TEVE O EXERCÍCIO EFECTIVO DE FUNÇÕES DE GERÊNCIA OU ADMINISTRAÇAO, NUNCA AS EXERCEU. 11. RESULTAM DOS FACTOS ALEGADOS, E DA PROVA PRODUZIDA EM SEDE DE AUDIÉNCIA DE JULGAMENTO QUE A RECORRENTE NUNCA EXERCEU, DE FACTO, A GERÊNCIA OU PRATICOU ACTOS DE GESTÃO DA SOCIEDADE, ORIGINÁRIA DEVEDORA. 12. DO DEPOIMENTO DA TESTEMUNHA DEVERIA TER SIDO DADO COMO PROVADO, SALVO O DEVIDO RESPEITO, QUE O OPONENTE NUNCA DESEMPENHOU AS FUNÇÕES DE GERENTE NA SOCIEDADE, NEM PRATICOU ACTOS DE GESTÃO SOCIETARIOS AO NÃO O FAZER O MM JUIZ A QUO ERROU NO JULGAMENTO DA MATÉRIA DE FACTO. 13. FALTA DE PROVA DA GESTÃO DE FACTO DA DEVEDORA ORIGINÁRIA POR PARTE DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA DEVIA TER SIDO CONHECIDA PELO TRIBUNAL A QUO. POIS, 14. ESTE ENCONTRA-SE ADSTRITO A DESCOBERTA DA VERDADE MATERIAL., DE ACORDO COM O DISPOSTO NO ARTIGO 265.° DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL, APLICÁVEL EX VI DO ARTIGO 2.° DO CPPT E 13°, N,° 1 TAMBÉM CPPT. 15. O RECORRENTE INSURGE-SE DESDE LOGO COM O PONTO 8 DA MATÉRIA DE FACTO DADA COMO PROVADA. 16. NO DESPACHO DE REVERSÃO NADA VEM REFERIDO QUANTO À PRATICA DE ACTOS EFECTIVOS DE ADMINISTRAÇÃO POR PARTE DO RECORRENTE. 17. A CERTIDÃO DE DIVIDA DE FOLHAS 18 A 25 DOS AUTOS, NÃO REFERE QUEM SÃO OS RESPONSÁVEIS SUBSIDIÁRIOS PELA DIVIDA EXEQUENDA E ACRESCIDO E MUITO MENOS QUE SEJA O AQUI RECORRRENTE O SEU RESPONSÁVEL. 18. O RECORRENTE NUNCA FOI ADMINISTRADOR DA EMPRESA “H... CONSULTADORIA E GESTÃO S.A.”, MAS SIM SEU TÉCNICO OFICIAL DE CONTAS, TAL COMO CONSTA NOS RECIBOS DE VENCIMENTO JUNTO AOS AUTOS. O RECORRENTE NUNCA FOI ADMINISTRADOR DE DIREITO, NEM DE FACTO DA EMPRESA “H... CONSULTADORIA E GESTÃO S.A.”, TAL COMO CONSTA NA CERTIDÃO DA CONSERVATÓRIA DO REGISTO COMERCIAL DE FOLHAS 31 A 34 DOS AUTOS. 19. O ÚNICO ADMINISTRADOR FOI O SEU IRMÃO, DE SEU NOME A…, TAL COMO CONSTA A FOLHAS 33 DOS AUTOS. 20. O RECORRENTE FOI QUEM REQUEREU, ENTENDA-SE, REQUEREU E NÃO APRESENTOU À INSOLVËNCIA A EMPRESA “H... CONSULTADORIA E GESTÃO S.A.”, TAL COMO CONSTA A FOLHAS 26 DOS AUTOS. E TANTO ASSIM É, QUE A PRÓPRIA FAZENDA PÚBLICA REFERE O SEGUINTE: “(…) TENDO REQUERIDO A INSOLVÉNCIA DA MESMA (...”- ANALISE-SE FOLHAS 42, 5º PARÁGRAFO DOS AUTOS, OU SEJA, COTEJANDO A INFORMAÇÃO DE FOLHAS 26 DOS AUTOS, O QUE SE VERIFICA DA SUA LEITURA É O SEGUINTE: REQUERENTE: A…, ORA RECORRENTE. ADMINISTRADOR DO DEVEDOR: A…. 21. O RECORRENTE FOI CONTABILISTA DA EMPRESA «H... CONSULTADORIA E GESTÃO S.A.” 22. O RECORRENTE ENVIOU OS EMAILS DESCRITOS NOS PONTOS 5 E 6 DA MATÉRIA DE FACTO DADA COMO PROVADA. MAS, ASSINOU COMO SENDO PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO E NÃO COMO SEU ADMINISTRADOR E AINDA NA QUALIDADE DE TOC, VEJA -SE O EMAIL DE FOLHAS 37 DOS AUTOS. 23. QUEM ERA O ADMINISTRADOR ÚNICO DA EMPRESA EM QUESTÃO, ERA O A…, ANALISE-SE FOLHAS 31 A 35 DOS AUTOS. ORA, 24. OS CONCRETOS PONTOS DE FACTO QUE CONSIDERA INCORRECTAMENTE JULGADOS DE ACORDO COM O ARTIGO 640º NÚMERO 1 ALINEA A) DO C.P.C. SÃO OS SEGUINTE, DOS QUAIS SE ENCONTRA SUBLINHADO: - “A 18 DE OUTUBRO DE 2012 FOI LAVRADO PROJECTO DE REVERSÃO, CUJO TEOR SE CONSIDERA AQUI INTEGRALMENTE REPRODUZIDO E NO QUAL CONSTA: “CONSTA AINDA COMO REPRESENTANTE DA ORIGINÁRIA DEVEDORA, O CONTRIBUINTE A…, NIF 1…, TENDO REQUERIDO A INSOLVÊNCIA DA MESMA, BEM COMO OUTORGOU COMO REPRESENTANTE DE CESSAÇÃO, PARA EFEITOS DE IVA, 31/12/2011. DE SALIENTAR AINDA QUE O REFERIDO REPRESENTANTE ENVIOU EM 05/08/2009, VIA EMAIL, UM PEDIDO DE PAGAMENTO EM PRESTAÇÕES, CFR. ARQUIVADO A FLS. 8 DO PEF 3190200901070290, TENDO SIDO EFECTUADOS APENAS 4 PAGAMENTOS DO PLANO PRESTACIONAL, DO QUAL FOI EXCLUIDO EM 26/04/2010 POR INCUMPRIMENTO. REFIRA-SE TAMBÉ QUE O MESMO CONTRIBUINTE ASSINOU, NA QUALIDADE DE CONTABILISTA E ADMINISTRADOR DA ORIGINÁRIA DEVEDORA, O AUTO DE PENHORA ARQUIVADO DE FLS. 14 A 16 DO PEF 3190200801008110, TENDO SIDO NOMEADO FIEL DEPOSITÁRIO.” - CFR. FLS. 42/43 DO PROCESSO FISICO”. OU SEJA, 25. O RECORRENTE NÃO PODE SER CONSIDERADO COMO TENDO SIDO COMO REPRESENTANTE DA ORIGINARIA DEVEDORA, DA EMPRESA “H... CONSULTADORIA E GESTÃO S.A”, TENDO REQUERIDO A INSOLVÊNCIA DA MESMA E TENDO EFECTUADO A CESSAÇÃO PARA EFEITOS DE IVA NESSA QUALIDADE, DA DE REPRESENTANTE DA ORIGINÁRIA DEVEDORA. 26. O RECORRENTE NÃO PODE SER CONSIDERADO COMO SENDO SEU REPRESENTANTE, ENTENDA-SE DA EMPRESA «H... CONSULTADORIA E GESTÃO S.A.”, E TENDO ENVIADO EM 05/08/2009, VIA EMAIL, UM PEDIDO DE PAGAMENTO EM PRESTAÇÕES, CFR. ARQUIVADO A FLS. 8 DO PEF 3190200901070290, TENDO SIDO EFECTUADOS APENAS 4 PAGAMENTOS DO PLANO PRESTACIONAL, DO QUAL FOI EXCLUÍDO EM 26/04/2010 POR INCUMPRIMENTO, NA QUALIDADE DE REPRESENTANTE DA ORIGINÁRIA DEVEDORA. 27. O RECORRENTE NÃO PODE SER CONSIDERADO COMO SENDO SEU REPRESENTANTE, ENTENDA-SE DA EMPRESA “H... CONSULTADORIA E GESTÃO S.A.”, E QUE NESSA QUALIDADE DE ADMINISTRADOR, TENHA ASSINADO O AUTO DE PENHORA ARQUIVADO DE FLS. 14 A 16 DO PEF 3190200801008110. 28. O RECORRENTE NÃO ACEITA QUE TENDO EM ATENÇÃO OS PONTOS 5. 6. E 7. DOS FACTOS DADOS COMO PROVADOS, QUE SE EXTRAI OUTRA CONCLUSÃO QUE NÃO SEJA A DE QUE ESTE ERA APENAS O SEU CONTABILISTA. 29. OS CONCRETOS MEIOS PROBATÓRIOS, CONSTANTES DO PROCESSO, QUE IMPÕE DECISÃO SOBRE O PONTO DA MATÉRIA DE FACTO IMPUGNADO DIVERSA DA RECORRIDA, PARA EFEITOS DO ARTIGO 640º NÚMERO 1 ALÍNEA B) E NÚMERO 2 ALINEA A) DO C.P.C. OS SEGUINTES: 30. A ANÁLISE DA PROVA DOCUMENTAL NOS AUTOS: NO REGISTO COMERCIAL O RECORRENTE NÃO CONSTA QUE SEJA SEU ADMINISTRADOR SEQUER E NO DOCUMENTO JUNTO PELA FAZENDA PÚBLICA NA SUA CONTESTAÇÃO, É UM REGISTO INFORMÁTICO, ONDE SÓ CONSTA O NIF DO RECORRENTE E A MENÇÃO DE REPRESENTANTE LEGAL. SÓ QUE, 31. DE PER SI, DESACOMPANHADO DE OUTROS MEIOS PROBATÓRIOS, TAL NÃO DEMONSTRA UM EXERCICIO EFECTIVO DOS PODERES DE ADMINISTRAÇÃO POR PARTE DO RECORRENTE, COMPETINDO TAL PROVA À FAZENDA PÚBLICA, O QUE NÃO LOGROU EFECTUAR. 32. O CONCRETO MEIO PROBATÓRIO, CONSTANTE DO PROCESSO, QUE IMPÕE AINDA DECISÃO SOBRE O PONTO DA MATÉRIA DE FACTO IMPUGNADO DIVERSA DA RECORRIDA, É A ANÁLISE DOS TESTEMUNHOS, ISTO PARA EFEITOS DO ARTIGO 640º NÚMERO 1 ALÍNEA B) DO C.P.C. 33. A ANÁLISE DA SEGUINTE TESTEMUNHA É ESSENCIAL PARA A DESCOBERTA DA VERDADE MATERIAL, PARA ATESTAR QUE O RECORRENTE NUNCA FOI ADMINISTRADOR DA EMPRESA «H... CONSULTADORIA E GESTÃO S.A.”. 34. A INQUIRIÇÃO DA TESTEMUNHA SUSANA…, ACTA DE INQUIRIÇÃO DE TESTEMUNHAS, DE 20 DE NOVEMBRO DE 2014, PELAS 14HORAS, FOLHAS 107 E 108 DOS AUTOS, ONDE O CD TEM A ROTAÇÃO 00.00.01 A 00.17.59. 35. ESTA TESTEMUNHA, DEMONSTROU COM A CERTEZA, SEGURANÇA E EXACTIDÃO NECESSÁRIAS, AFASTANDO QUAISQUER DÚVIDAS QUE A PROVA DOCUMENTAL POSSA TRAZER AOS AUTOS, DE QUE O RECORRENTE NUNCA FOI ADMINISTRADOR DE FACTO DA EMPRESA “H... CONSULTADORIA E GESTÃO S.A.” 36. AINDA ESTA TESTEMUNHA, PELAS REGRAS DE EXPERIÉNCIA COMUM, EXPLICOU DE FORMA SÉRIA, CREDÍVEL, SEM QUAISQUER HESITAÇÕES, SEM SER TITUBIANTE, QUAIS AS FUNÇÕES DO RECORRENTE, QUE ERA SEU COLEGA DE TRABALHO, QUEM ERA O PATRÃO DA EMPRESA, QUEM A CONTRATOU, QUAIS OS CLIENTES QUE A TESTEMUNHA FAZIA QUE NÃO POR ORDEM DO RECORRENTE, QUEM LHE DAVA ORDENS, QUEM LHE PAGAVA, INFORMOU TAMBÉM QUE O RECORRENTE ERA CONTABILISTA E NÃO ADMINISTRADOR. 37. DEVE SE ASSIM OUVIR A PROVA TESTEMUNHAL. SESSÃO DE 20/11/2014 CD - MINUTO 00:00:01 A 00:17:5, DEPOIMENTO DE SUSANA…, CUJAS CONCRETAS PASSAGENS SÃO: Susana… É meu colega, o técnico de contas. (concreta passagem a 00.00.30) Susana... É meu colega. É técnico de contas, eu sou contabilista, não sou formada. (concreta passagem 00.01.10). Advogado Muito bem. E para si, quem é que era o patrão da empresa? Susana... O Doutor A.... Advogado E porque é que você diz isso? Que era o patrão da empresa? Susana... Olhe, primeiro foi ele que me contratou. Depois, todas as decisões era ele que as tomava. Quem eram os clientes que eu fazia, não é? Os clientes que eu tinha que fazer a contabilidade. Quando vinham colegas novas era ele que tratava disso. Advogado Ou seja, dava-lhe ordens a si? Susana... Sim, sim. Advogado Pronto. Alguma vez este Doutor M... que está aqui presente em Tribunal, alguma vez lhe deu alguma ordem? Susana... Não. Advogado Era ele que atendia os clientes? Susana... Não. Advogado O Doutor M...? Susana... Não. (concreta passagem 00.07.07). Advogado E alguma vez foi pago por cheque? Susana... Pode ter sido, uma ou duas vezes. Advogado E esses cheques eram assinados por quem? Susana... Doutor A.... (concreta passagem 00.10.10). Advogado Doutor A.... Muito bem. E diga-me uma coisa, algum a vez.., e perante os seus colegas de trabalho, também, quem é que mandava na empresa? Susana... Doutor A.... (concreta passagem 00.11.00). Advogado Muito bem. Olhe, alguma vez este Doutor M... lhe deu ordens a si? Susana... Nunca. (concreta passagem 00.11.20). Advogado E aquilo que eu lhe queria perguntar era se sabe se o A… incumbiu aqui este M... para enviar este e-mail? Susana... Não, mas se ele enviou, de certeza que foi ele que o mandou fazer. Advogado Ou seja, ele não tinha iniciativa, por si só, deter... Susana... Não, não. Isso, ele não toma essas decisões. Advogado Muito bem. Olhe, vamos imaginar também que relativamente.., imagine que o senhor A… não estava na sociedade. E que era preciso tomar alguma decisão. Essa decisão era tomada? Susana... Não. Advogado Aqui o Doutor M... tinha alguma... Susana... Não. Decisões era só com o Doutor A.... Advogado Pronto. Que é o Doutor A…? Susana... Sim, A…. (concreta passagem 00.13.40). Advogado Muito bem. Olhe, não tem dúvidas também.., aí também... ó senhor Doutor, se calhar deve ser folhas quarenta, que é auto de penhora. É esse. Advogado Folhas trinta e nove, quarenta, quarenta e um. Foi o doutor M.... E a primeira pergunta que lhe faço: ele assinou porquê? Teve conhecimento disso? Susana... Porque é que ele assinou? Se calhar devia ser o único que estava lá. Na empresa. Advogado Mas diz se calhar”, é uma suposição? É uma certeza? Susana... E assim, eu não estava lá. Advogado Certo. Susana... Os meus colegas também trabalhavam em casa. Normalmente, havia que era preciso ir ao escritório, era o doutor M... que lá estava. Portanto, pode ter acontecido isso. Advogado Muito bem. Aqui, no auto de penhora, a folhas quarenta, mesmo na parte final diz assim: A…, que identifica o NIF, residente na Travessa…, contabilista da executada e seu administrador.” Isto corresponde à verdade? Administrador? Susana... Não, não. Era contabilista. Administrador, não. (concreta passagem 00.15.00). 38. A ÚNICA TESTEMUNHA INQUIRIDA NOS PRESENTES AUTOS, DE FORMA SÉRIA, COERENTE E COM PERFEITO CONHECIMENTOS DOS FACTOS REFERIU QUE: 39. QUEM ERA O PATRÃO/DONO DA EMPRESA ERA O SR. DR. A…, DORAVANTE DESIGNADO POR DR. A…, QUE QUEM A CONTRATOU FOI O DR. A…, O RECORRENTE NÃO EFECTUAVA PAGAMENTOS, QUEM LHE PAGAVA O SALÁRIO ERA O DR. A…, NÃO SÓ POR TRANSFERÊNCIA BANCÁRIA, A REGRA, MAS QUANDO ERA PAGO POR CHEQUE, ESTE CONTINHA A ASSINATURA DO DR. A…, QUE O AQUI OPONENTE ERA TÉCNICO OFICIAL DE CONTAS, SEU COLEGA DE TRABALHO, QUE NUNCA O OPONENTE LHE DAVA ORDENS, A SI OU AOS SEUS COLEGAS DE TRABALHO, QUEM ATENDIA OS CLIENTES ERA O DR. A..., QUEM DIRIGIA A EMPRESA ERA O DR. A..., O ORA RECORRENTE NÃO TINHA AUTONOMIA PARA TER QUALQUER DECISÃO, OS EMAILS ENVIADOS E EXIBIDOS À TESTEMUNHA, NO ENTENDER DESTA, FOI PORQUE O PATRÃO ASSIM O MANDOU E SE O RECORRENTE FICOU A CONSTAR COMO FIEL DEPOSITÁRIO, FOI PORQUE ERA O ÚNICO QUE ESTAVA NAS INSTALAÇÕES DA EMPRESA, E SE ASSINOU NA QUALIDADE DE ADMINISTRADOR, FOI ERRADAMENTE. 40. APÓS A ANÁLISE CRÍTICA DA PROVA DOCUMENTAL E TESTEMUNHAL, INFERI-LO DO CONJUNTO DAS PROVAS PRODUZIDAS PELO QUE A SENTENÇA DE PRIMEIRA INSTÃNCIA, COMO RECORRIDA, DEVE SER CENSURADA. POIS, 41. PARA QUE SE VERIFIQUE A GERÊNCIA EFECTIVA É INDISPENSÁVEL QUE O GERENTE ACTUE, NO EXERCÍCIO DE PODERES DE GERENTE, ADMINISTRADOR, SUSTENTADAS NAS DELIBERAÇÕES ADMINISTRANDO E REPRESENTANDO A EMPRESA REALIZANDO NEGÓCIOS E EXTERIORIZANDO A VONTADE DAQUELA PERANTE TERCEIROS. ORA, 42. O RECORRENTE NUNCA TEVE O EXERCÍCIO EFECTIVO DE FUNÇÕES DE GERËNCIA OU ADMINISTRAÇÃO, NUNCA AS EXERCEU. 43. A EMPRESA ‘H... CONSULTADORIA E GESTÃO S.A.” TINHA QUE UM ADMINISTRADOR ÚNICO, QUE NÃO ERA O RECORRENTE, CUJA ASSINATURA VINCULAVA A EMPRESA PERANTE TERCEIROS, ASSINANDO O QUE TIVESSE QUE ASSINAR, DESIGNADAMENTE PERANTE BANCOS, FORNECEDORES, CLIENTES, AT, SEGURANÇA SOCIAL, ETC, O RECORRENTE NUNCA ESTEVE NOMEADO SEQUER COMO ADMINISTRADOR DA EMPRESA “H... CONSULTADORIA E GESTÃO S.A.”, O RECORRENTE NÃO TINHA NENHUMA ACÇÃO DA EMPRESA “H... CONSULTADORIA E GESTÃO S.A.”, O RECORRENTE NUNCA AUFERIU QUAISQUER REMUNERAÇÕES QUE NÃO A DE CONTABILISTA, O RECORRENTE NUNCA CONTRATOU NENHUM TRABALHADOR PARA A EMPRESA “H... CONSULTADORIA E GESTÃO S.A.”, O RECORRENTE NUNCA ASSINOU CHEQUES PARA PAGAMENTO DE SALÁRIOS DE TRABALHADORES DA EMPRESA “H... CONSULTADORIA E GESTÃO S.A.”, O RECORRENTE NUNCA ASSINOU DOCUMENTOS EM REPRESENTAÇÃO DA EMPRESA “H... CONSULTADORIA E GESTÃO S.A.”, A ASSINATURA DO RECORRENTE NÃO VINCULAVA A SOCIEDADE, NEM PODIA VINCULAR, POIS NÃO ERA ADMINISTRADOR DA MESMA. 44. O RECORRENTE NÃO PRATICOU UM CONJUNTO DE ACTOS EM NOME E EM REPRESENTAÇÃO DA SOCIEDADE EXECUTADA, NOMEADAMENTE, POR EXEMPLO: NÃO ASSINOU A DECLARAÇÃO DE INSCRIÇÃO NO REGISTO/ INICIO DE ACTIVIDADE DA SOCIEDADE EXECUTADA, NÃO ASSINOU DECLARAÇOES DE ALTERAÇÃO DA SOCIEDADE COMERCIAL EXECUTADA, NÃO ASSINOU DECLARAÇÕES DE RENDIMENTOS, NÃO AUFERIU QUALQUER REMUNERAÇÃO ENQUANTO MEMBRO DO ÓRGÃO ESTATUTÁRIO DA SOCIEDADE EXECUTADA, NÃO ASSINOU QUALQUER CHEQUE, QUER PARA PAGAMENTO DE SALÁRIOS OU TERCEIROS, NÃO ASSINOU QUAISQUER DOCUMENTOS INERENTES À ACTIVIDADE DA SOCIEDADE EXECUTADA, O RECORRENTE ASSIM NUNCA REPRESENTOU, NEM VINCULOU A SOCIEDADE PERANTE TERCEIROS, O RECORRENTE NÃO TINHA UM PERFEITO CONHECIMENTO DA REALIDADE DA EMPRESA, NO QUE CONCERNE ÃS INSPECÇÕES E CLIENTES, O RECORRENTE NUNCA RECEBEU CRÉDITOS E MOVIMENTOU DÉBITOS, O RECORRENTE NUNCA ASSINOU CHEQUES, CONTRATOU FUNCIONÁRIOS, FIRMOU QUALQUER CONTRATO COM QUALQUER FORNECEDOR, OU NEGOCIOU O QUE QUER QUE FOSSE COM QUALQUER PESSOA EM NOME DA EMPRESA, O RECORRENTE NÃO TEVE QUALQUER INFORMAÇÃO SOBRE A EMPRESA, A SUA GESTÃO E O SEU GIRO COMERCIAL E O RECORRENTE NUNCA TEVE DISPONIBILIDADE FINANCEIRA SOBRE A EMPRESA, E NÃO PODIA ENTÃO COMO TAL, ASSEGURAR OU DETERMINAR O DESTINO DAS RECEITAS E DA UTILIZAÇÃO DAS VERBAS DESTINADAS A PAGAMENTO. 45. NA VERDADE, ESTA FACTUALIDADE QUE NÃO ESTÁ PROVADA, CONJUGADA ENTRE SI, É SUFICIENTEMENTE REVELADORA DE QUE O RECORRENTE NÃO PARTICIPAVA NA GESTÃO E NÃO ACOMPANHAVA A ACTIVIDADE DA SOCIEDADE EXECUTADA, NÃO PRATICANDO ACTOS EM NOME E EM REPRESENTAÇÃO DESTA. POIS, 46. A DECISÃO QUE, NO ENTENDER, DEVE SER PROFERIDA SOBRE A QUESTÃO DE FACTO IMPUGNADA, DE ACORDO COM O ARTIGO 6400 NÚMERO 1 ALÍNEA C) DO C.P.C É QUE SE DEVE DAR COMO NÃO PROVADO QUE: O RECORRENTE NÃO PODE SER CONSIDERADO QUE TENHA SIDO ADMINISTRADOR DE FACTO E OU REPRESENTANTE DA ORIGINÁRIA DEVEDORA E O RECORRENTE NUNCA GERIU A SOCIEDADE PRINCIPAL DEVEDORA. POIS, 47. A DOUTA DECISÃO RECORRIDA VIOLOU O DISPOSTO NO ARTIGO 74° DA L.G.T., ARTIGO 88° DO C.P.A., ARTIGOS 342° E 163° DO CÓDIGO CIVIL, ARTIGOS 409° NÚMERO 1 E 390° NÚMERO 1 DO CÓDIGO DAS SOCIEDADES COMERCIAIS E ARTIGOS 265° DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL E ARTIGOS 2° E 13° DO C.P.P.T. TERMOS EM QUE, DECLARANDO-SE A OPOSIÇÃO TOTALMENTE PROCEDENTE, DANDO-SE COMO PROVADO QUE O RECORRENTE NÃO ERA GERENTE DE FACTO DA EMPRESA! DEVEDORA ORIGINÁRIA SE FARÁ JUSTIÇA. “ A Recorrida não apresentou contra-alegações. Após a subida dos autos a este Tribunal Central Administrativo Norte, foram os autos com vista à Exma Senhora Procuradora-Geral Adjunta, que emitiu parecer no sentido de negar provimento ao recurso. Colhidos os vistos legais junto dos Exmos. Juízes-Adjuntos vem o processo à Conferência para julgamento. I.1 Objecto do recurso - Questões a apreciar e decidir: A questão suscitada pela recorrente nas alegações de recurso e delimitadas pelas respectivas conclusões - artigos 660º, nº 2, 664º, 684º, nº s 3 e 4, actuais 608, nº 2, 635º, nº 4 e 5, todos do Código de Processo Civil (CPC), “ex vi” artigo 2º, alínea e) e artigo 281º do Código de Procedimento e de Processo Tributário (CPPT) – é a de saber se a sentença recorrida incorreu em erro de julgamento da matéria de facto e de direito, e consequentemente errou na apreciação que fez dos pressupostos da responsabilidade subsidiária do oponente. II. FUNDAMENTAÇÃO II.1. De Facto No Tribunal a quo, o julgamento da matéria de facto foi efectuado nos seguintes termos: “Factos Provados: 1. O processo de execução fiscal nº 3190201101113771 e aps. instaurado pelo Serviço de Finanças do Porto 5 contra a sociedade “H...e Consultadoria Contabilidade e Gestão, SA” para cobrança coerciva da quantia de € 27.543,45 (vinte e sete mil e quinhentos e quarenta e três euros e quarenta e cinco cêntimos) referente a IVA do ano de 2007 – cfr. fls. 18do processo físico; 2. A sociedade referida em A), foi declarada insolvente por sentença proferida a 19 de Dezembro de 20112 no processo que correu termos no 2º Juízo de Vila Nova de Gaia, do Tribunal do Comércio de Vila Nova de Gaia, insolvência essa requerida pelo Oponente e em cuja sentença consta como administrador da sociedade A…– cfr. fls. 26 do processo físico; 3. A 14 de Outubro de 2011 foi lavrado auto de diligências, cujo teor se considera aqui integralmente reproduzido – cfr. fls 30 do processo físico; 4. O oponente não consta da certidão permanente da Conservatória do Registo Comercial da sociedade referida em 1) como administrador, constando com tal função A…– cfr. fls. 31 a 35 do processo físico; 5. A 19 de Agosto de 2008 deu entrada no Serviço de Finanças do porto 5 um email, cujo teor se considera aqui integralmente reproduzido e no qual é requerido o pagamento em prestações da dívida exequenda – cfr. fls. 37 do processo físico; 6. A 5 de Agosto de 2009 deu entrada no Serviço de Finanças do Porto 5 um email, cujo teor se considera aqui integralmente reproduzido e no qual é requerido o pagamento em prestações da dívida exequenda – cfr. fls. 38 do processo físico; 7. A 27 de Abril de 2009 foi lavrado “Auto de penhora”, cujo teor se considera aqui integralmente reproduzido – cfr. fls. 39 a 41 do processo físico; 8. A 18 de Outubro de 2012 foi lavrado projecto de reversão, cujo teor se considera aqui integralmente reproduzido e no qual consta: “- Consta ainda como representante da originária devedora, o contribuinte A…, NIF 1…, tendo requerido a insolvência da mesma, bem como outorgou como representante de cessação, para efeitos de IVA, em 31/12/2011. De salientar ainda que o referido representante enviou em 05/08/2009, via email, um pedido de pagamento em prestações, cfr. arquivado a fls. 8 do pef 3190200901070290, tendo sido efectuados apenas 4 pagamentos do plano prestacional, do qual foi excluído em 26/04/2010 por incumprimento. Refira-se também que o mesmo contribuinte assinou, na qualidade de contabilista e administrador da originária devedora, o auto de penhora arquivado de fls. 14 a 16 do pef 3190200801008110, tendo sido nomeado fiel depositário.” – cfr. fls. 42/43 do processo físico; 9. Pelo ofício 01314/3190-30 foi o Oponente notificado para querendo exercer o seu direito de audição prévio à reversão – cfr. fls. 45/46 do processo físico; 10. A 09 de Novembro de 2012 foi lavrado despacho de reversão cujo conteúdo se considera aqui integralmente reproduzido – cfr. fls. 47 do processo físico; 11. Por carta com o registo nº RM816890085PT foi o Oponente citado por reversão – cfr. fls. 48/49 do processo físico – na pessoa de Vânia de A...; 12. Os presentes autos deram entrada a 17 de Dezembro de 2012. Factos não provados Para a decisão da causa, sem prejuízo das conclusões ou alegações de matéria de direito produzidas, de relevante, nada mais se provou, nomeadamente, não se provou que o Oponente apenas tenha exercido funções de contabilista na sociedade devedora originária. A decisão da matéria de facto, consonante ao que acima ficou exposto, efectuou-se com base nos documentos e informações constantes do processo, em confronto com a prova testemunhal, apreciada de acordo com as regras da experiência. Assim, no que se refere à testemunha Susana…, contabilista, colega de trabalho do Oponente desde 2002, depôs de forma limitada ao seu conhecimento, ou seja, referiu que em regra trabalhava em casa e que não assistiu a reuniões entre o oponente e o administrador, tendo referido que aquele era responsável pela parte técnica do trabalho. O seu depoimento não se mostrou suficiente para contrariar a prova documental existente nos autos e constante do despacho de reversão e que abalasse minimamente a conclusão de que o Oponente agiu em nome e em representação da sociedade, pelo menos, aquando da remessa dos emails a solicitar o pagamento em prestações da dívida exequenda, aquando da realização do auto de penhora em que se identificou como administrador, aquando do pedido de insolvência. * * Ao abrigo do disposto no art.º662.º, n.º1, do CPC, altera-se o ponto 4, em face do documento que o suporta, e aditam-se os pontos 13, 14, 15, todos da matéria de facto, provada documentalmente como se indica: 4. O oponente não consta da certidão permanente da Conservatória do Registo Comercial da sociedade referida em 1) como administrador, constando, desde da constituição da sociedade executada originária, até à presente data, foram nomeados como seus administradores S…, com o NIF 2…e A… com o NIF 1…- cfr. fls. 31 a 35 do processo físico; 13. O email a que se refere o ponto 5 da matéria de facto dada como provada foi remetido ao Serviço de Finanças do Porto 5, tendo como endereço electrónico de origem/remetente “a… (a… @hotmail.com) e com os seguintes termos : «Exmos Senhores, Na qualidade de Presidente Conselho de Administração, e numa reunião com os accionistas bem como o TOC, analisamos e verificamos as enormes dificuldades financeiras , da sociedade Anonima H... (nipc 5…). Resultam nos v/Serviços , vários processos de execução , resultantes de Coimas e Iva´s. Tem esta sociedade vários clientes devedores, com quantias suficientes para regularizar aas dívidas fiscais . Tomaremos medidas, talvez cíveis e fiscais para a cobrança. Como (estamos de férias) até fim do mês em curso, solicito por este meio, requerer o pagamento em regime prestacional de todos os processos existentes , em 12 prestações com início 15.09.2008. Tomo esta posição, para que não possam existir Penhora de Créditos, Imóveis, Contas Bancárias, etc, pois sucedendo isso será o Encerramento Total desta sociedade. Poderá V.exas , remeter para este mail (a…... @hotmail .com) alguma noticia acerca deste assunto. Em princípios de Setembro, estarei ao V. dispor. Desde já grato pela v/atenção. M... A... - cfr fls. 37 dos autos; 14. O email a que se refere o ponto 6, da matéria de facto, foi apresentado no Serviço de Finanças do Porto 5, tendo como origem o endereço electrónico de origem “M... A... (a…...@hotmail.com) um requerimento nos seguintes termos: « Exmos Senhores, Vimos por este meio, requerer o pagamento em regime prestacional, nos termos do Arte. 196 do CPPT em 12 prestações . A falta de Tesouraria, inerente a falta de cobrança de Serviços Prestados, pelas também dificuldades financeiras dos n/clientes, obriga-nos a recorrer a esta Opção. Agradecemos que a primeira prestação fosse em 30.09.2009. Convictos da v/ atenção s/ o exposto , aguardamos v/ noticias . M... A... Presidente Assembleia Geral H... , S.A.- cfr fls. 38 dos autos; 15. Foi junto aos autos um print informático da autoria da AT com informação relativa à apresentação das declarações anuais da sociedade H... Consultadoria Contabilidade e Gestão S.A., concernente aos exercícios de 2007, 2008 e 2009, nas quais se encontra a seguinte menção “NIF TOC 1…” e “NIF REP. LEGAL 1…”, sendo que este corresponde ao NIF do oponente - cfr . print informático a fls. 74 dos autos. II.2 De Direito A questão suscitada nestes autos foi já objecto de acórdão deste TCAN, de 17.12.2015, proferido no processo 33/13.7BEPRT, onde as partes foram as mesmas, a dívida também se reportava a IVA de 2007, sendo que neste acórdão a recorrente era a Fazenda Pública. III Decisão Por todo o exposto, acordam os juízes da Secção do Contencioso Tributário deste Tribunal Central Administrativo Norte em conceder provimento ao recurso, revogar a sentença recorrida e em consequência julgar a oposição procedente. |