Acórdão do Supremo Tribunal Administrativo | |
| Processo: | 09/10 |
| Data do Acordão: | 05/26/2010 |
| Tribunal: | 2 SUBSECÇÃO DO CA |
| Relator: | PIRES ESTEVES |
| Descritores: | RECURSO SUBORDINADO RECURSO INDEPENDENTE ORDEM DE CONHECIMENTO |
| Sumário: | I - A regra geral sobre recursos das decisões dos tribunais é a de que os mesmos só poderem ser interpostos por quem, sendo parte principal na causa, tenha ficado vencido (artº680º nº1 do Código de Processo Civil). Resulta deste preceito que dois são os requisitos como condições de legitimidade do recorrente: 1º-que seja parte na causa; 2º-que tenha ficado vencida. II - Para a hipótese de ambas as partes ficarem vencidas, cada uma delas pode recorrer da parte da sentença que lhe seja desfavorável, podendo o recurso, nesse caso, ser independente ou subordinado (artº682º nº1 do CPC). III - Chama-se independente o recurso cujas sorte e destino não ficam na dependência da resolução que haja de adoptar a parte contrária. Se, pelo contrário, o autor ou o réu só quiser recorrer no caso de a outra parte impugnar a decisão, estamos perante o recurso subordinado, pois que, como o nome indica, este recurso fica dependente das vicissitudes por que haja de passar o recurso da que depende – o recurso principal ou independente interposto pelo adversário. IV - É o princípio da igualdade das partes que justifica que aquela que inicialmente não interpusera recurso, por se haver conformado com a decisão, seja mais tarde – já depois de esgotado o prazo normal – admitida a recorrer após a outra parte ter interposto recurso. Só impugna a decisão porque a outra também o fez. O seu recurso é, portanto, subordinado ao da contraparte. V - Para que o recurso subordinado opere necessário se torna que o recurso principal (independente) subsista para conhecimento. Assim se o recurso principal naufragar antes do seu conhecimento, o recurso subordinado deixará de ter eficácia VI - Porém, como toda a vitalidade do recurso subordinado depende do recurso principal, o tribunal tem, em primeiro lugar, de se assegurar de que o recurso principal está em condições de poder conhecer-se do seu objecto; obtida essa certeza, cumpre ao tribunal começar por julgar a questão posta no recurso subordinado, quando o conhecimento do seu objecto deve preceder o do recurso principal, nos termos do artº288º do CPC VII - Podemos, assim concluir que, em regra, o recurso subordinado se encontra dependente do recurso principal, quer quanto à sua admissibilidade quer quanto à sua subsistência, pelo que o recurso subordinado caducará se o recurso principal ficar sem efeito ou o tribunal não conhecer dele ou o recorrente desistir do mesmo (artº682º nºs 2 e 3 do CPC). VIII - Porém, desde que se conheça do mérito do recurso principal, ainda que o mesmo improceda, deve conhecer-se do recurso subordinado. |
| Nº Convencional: | JSTA000P11846 |
| Nº do Documento: | SA12010052609 |
| Recorrente: | A... E OUTRO |
| Recorrido 1: | HOSPITAL DE S. JOÃO, EPE |
| Votação: | UNANIMIDADE |
| Aditamento: | |