Acórdão do Supremo Tribunal Administrativo | |
| Processo: | 037308 |
| Data do Acordão: | 07/04/1995 |
| Tribunal: | 2 SUBSECÇÃO DO CA |
| Relator: | ARTUR MAURICIO |
| Descritores: | NULIDADE DE SENTENÇA EXCESSO DE PRONÚNCIA CHAMAMENTO À AUTORIA PREPARO SUPREMO TRIBUNAL ADMINISTRATIVO ACÇÃO DE INDEMNIZAÇÃO MATÉRIA DE FACTO PODERES DE COGNIÇÃO MINISTÉRIO PÚBLICO PARECER MÉDICO CULPA NEXO DE CAUSALIDADE |
| Sumário: | I - Não enferma de nulidade por excesso de pronúncia o despacho que conhece de questões jurídicas para justificar a solução que dá à questão de direito suscitada. II - O chamado à autoria que recusa o chamamento está sujeito ao pagamento de preparo. III - O tribunal de recurso está impedido de dar como verificado o nexo causal entre o facto e o dano se tal se traduzir na alteração da matéria de facto dada como provada e não ocorrer nenhuma das situações previstas no art. 712 ns. 1 e 2 do CPC. IV - O parecer clínico junto com as alegações de recurso onde se defende o nexo de causalidade entre determinado facto e o dano não é documento superveniente susceptível de por si só impor resposta diferente ao quesito pertinente quando esta se fundamentou também em prova produzida por outros peritos médicos. V - No parecer que emite sobre o recurso de sentença decretada em acção de indemnização por responsabilidade civil extracontratual de um hospital público, o Ministério Público tem que confinar-se à matéria de impugnação alegada pelo recorrente, salvo em questões de conhecimento oficioso não cobertas por caso julgado. VI - Não é de conhecimento oficioso questão relativa a um eventual erro do julgador sobre os poderes inquisitórios em matéria de recolha de prova. VII - Não incorre em nulidade por contradição entre os fundamentos e a decisão a sentença que na acção referida condena o Réu, dando por verificada culpa do serviço e dos seus agentes, mesmo que da matéria de facto dada como provada se não possa extrair esta conclusão. VIII- Agem com culpa os cirurgiões que deixam uma compressa com o respectivo fio apontador na cavidade abdominal da paciente, mesmo tendo em conta que a equipa de cirurgia não dispunha de um instrumentista, que a intervenção se tinha que efectuar com celeridade, que aqueles actuaram sob tensão psíquica e que, impregnada de sangue, uma compressa é dificilmente detectável. IX - Age igualmente com culpa o chefe da equipa de urgência que, sabendo das condições em que se iria desenrolar a intervenção cirúrgica, com médicos ainda no internato complementar de cirurgia, não reforça a equipa com outra unidade, nem dá qualquer assistência à mesma intervenção. |
| Nº Convencional: | JSTA00042319 |
| Nº do Documento: | SA119950704037308 |
| Data de Entrada: | 03/28/1995 |
| Recorrente: | UAP-PORTUGAL COMP DE SEGUROS SA E OUTROS |
| Recorrido 1: | HOSPITAL DISTRITAL DE CASCAIS |
| Votação: | UNANIMIDADE |
| Ano da Publicação: | 95 |
| Privacidade: | 01 |
| Meio Processual: | REC JURISDICIONAL. |
| Objecto: | SENT TAC LISBOA. |
| Decisão: | PROVIDO. |
| Área Temática 1: | DIR ADM CONT - RESPONSABILIDADE EXTRA. |
| Legislação Nacional: | CPC67 ART712 N1 N2. LPTA85 ART27 ART110. CCIV66 ART487 N2 ART805. |