Acórdão do Supremo Tribunal Administrativo | |
| Processo: | 017518 |
| Data do Acordão: | 03/18/1999 |
| Tribunal: | PLENO DA SECÇÃO DO CA |
| Relator: | ANTONIO SAMAGAIO |
| Descritores: | CONCURSO DE PROVIMENTO CLASSIFICAÇÃO ERRO NOS PRESSUPOSTOS DE FACTO AUTOVINCULAÇÃO DESVIO DE PODER ÓNUS DE PROVA TRIBUNAL PLENO PODERES DE COGNIÇÃO FUNDAMENTAÇÃO DO ACTO ADMINISTRATIVO |
| Sumário: | I - As deliberações do júri relativas à avaliação e graduação final dos candidatos em concurso de provimento, devem considerar-se fundamentadas desde que das respectivas actas constem, directa ou por remissão, os elementos, factores, parâmetros ou critérios com base nos quais se procedeu à ponderação determinante do resultado concreto a que se chegou. II - Não lesa a esfera jurídica do recorrente, pelo que este carece de legitimidade, para arguir o respectivo erro nos pressupostos, se o júri ao proceder ao cálculo das valorações dos candidatos através da respectiva fórmula, cometeu erros que se reflectiram, no entanto, apenas nas classificações dos candidatos posicionados à frente do recorrente. III - Tendo o Júri do concurso aprovado a nota mínima e a máxima a atribuir a diversos subfactores em números inteiros, não viola o princípio da autovinculação se relativamente a cada candidato o mesmo júri atribuir a respectiva pontuação em números fraccionários, com respeito pelos referidos parâmetros. IV - O vício de desvio de poder é um vício cometido no exercício de poderes discricionários, pelo órgão competente, ao pretender prosseguir um fim diferente daquele que a lei teve em vista ao conceder tal poder, fim esse principalmente determinante da prática do acto administrativo. V - Sobre o recorrente recai o ónus de provar que o autor do acto suposto inquinado pelo vício de desvio de poder quis prosseguir um fim ilegal (particular ou público mas neste caso diferente daquele que a lei teve em vista ao conferir o poder discricionário) e que esse fim foi principalmente determinante da prática de tal acto. VI - Os tribunais de recurso reexaminam a decisão recorrida, confirmando-a ou alterando-a de acordo com a lei, pelo que não criam decisões sobre questões novas, salvo se forem de conhecimento oficioso. |
| Nº Convencional: | JSTA00051228 |
| Nº do Documento: | SAP19990318017518 |
| Data de Entrada: | 06/17/1998 |
| Recorrente: | ALMEIDA , CARLOS |
| Recorrido 1: | SGER DO MINIEEX E OUTROS |
| Votação: | UNANIMIDADE |
| Ano da Publicação: | 99 |
| Privacidade: | 01 |
| Meio Processual: | REC JURISDICIONAL. |
| Objecto: | AC SUBSECÇÃO DO CA. |
| Decisão: | NEGA PROVIMENTO. |
| Área Temática 1: | DIR ADM GER - FUNÇÃO PUBL ESTATUTÁRIO. |
| Legislação Nacional: | DRGU 57/80 DE 1980/10/10 N17. DL 256-A/77 DE 1977/06/17 ART1. CPC67 ART668 N1 D. |
| Jurisprudência Nacional: | AC STAPLENO PROC31953 DE 1997/01/29. AC STAPLENO PROC30500 DE 1998/03/31. AC STAPLENO PROC31957 DE 1997/12/17. AC STAPLENO PROC17394 DE 1989/07/13. |
| Referência a Doutrina: | CHARLES EISEMMANN COURS DE DROIT ADMINISTRATIF PARIS 1982 TOMO1 PAG504. |