Biblioteca STA


PP766
Analítico de Periódico



CRAVEIRO, Ana Margarida
A grande crise existencial do humanismo : uma leitura comparada de Duffield e Rieff / Ana Margarida Craveiro
Nação e defesa, Lisboa, s.3n.120(Verão2008), p.145-164


CIÊNCIA POLÍTICA, HUMANISMO, AJUDA HUMANITÁRIA, FILOSOFIA

O Novo Humanismo consolidou-se nos anos 90 como novo paradigma da acção humanitária, importante instrumento de suporte à resolução de conflitos, pela apresentação de um novo entendimento sobre os seus valores e operacionalização. Num momento de necessária avaliação, a pergunta a fazer é se o humanismo evoluiu para melhor, ou se deveria tentar recuperar o que se perdeu. Neste artigo são colocadas duas hipóteses em confronto, segundo dois autores: O Novo Humanismo está a ser usado por um modelo de governação específico para expansão de uma agenda própria (Mark Duffield) ou corrompeu-se a si mesmo pelo desenvolvimento de relações ambíguas com o poder político (David Rieff). Interpretando-as como uma tese e a sua antítese, dado que ambos os autores tiveram responsabilidades no desenvolvimento do Novo Humanismo apesar dos radicalmente diferentes pressupostos, sugere-se como síntese que houve de facto uma substituição do poder político pela acção humanitária, obrigada a um mandato muito mais alargado, bem para além da sua raison d'être original. Não é desejável ignorar a história recente, advogando-se aqui por uma clara limitação à acção humanitária, através de uma redefinição do seu papel.