Biblioteca STA


PP019
Analítico de Periódico

P90_22


LEANDRO, Armando
O papel do sistema de promoção e proteção de crianças em Portugal : o definitivo balanço de 14 anos de vigência / Armando Leandro
Revista do CEJ, Coimbra, n.2 (2º Sem. 2015), p.9-21
Estante n.º 19


DIREITO DOS MENORES, DIREITOS DA CRIANÇA, INTERVENÇÃO JUDICIAL, PROMOÇÃO, PROTECÇÃO À CRIANÇA, PERIGO, BALANÇO

1) Breve caracterização do sistema: o amplo sistema português de promoção e protecção dos direitos da criança à luz do paradigma resultante da aquisição civilizacional do reconhecimento, já também no domínio jurídico, ao nível internacional e nacional, da criança como Sujeito Autónomo de Direitos Humanos; os diversos subsistemas que o constituem e o papel dos Direitos Humanos como «boa consciência» de todos eles; os valores, princípios, missão e visão que caracterizam o sistema específico de promoção e protecção dos direitos da criança em risco e em perigo, e as políticas, estratégias e acções que a sua concretização exige; os diversos «agentes» a que o sistema confia o dever dessa concretização, com especial realce para as entidades com competência em matéria de infância e juventude, as comissões de protecção das crianças e jovens (CPCJ) e os tribunais; o reforço do relevo do papel dos «agentes» criança, família e comunidade local; a intervenção fulcral e inovadora das CPCJ, situadas na centralidade do sistema; especial referência à evolução, natureza, virtualidades e responsabilidades das CPCJ na prevenção das situações de risco e de perigo e na reparação das de perigo. II) Tentativa de balanço dos anos de vigência do sistema, tendo designadamente como referência os principais objectivos e paradigmas resultantes da sua caracterização: a interiorização e concretização dos direitos de todas as crianças e a correspondente nova cultura de responsabilidade jurídica, ética e cívica de todos os agentes individuais e colectivos, públicos e privados, que o sistema convoca; os paradigmas da complexidade, da transdisciplinaridade e da cooperação e as consequentes exigências de formação, supervisão, avaliação, quantitativa e qualitativa, e investigação, bem como de coerência e articulação das políticas, estratégias e acções, tendentes à prevenção e à reparação, numa perspectiva cultural de «governação integrada»; conclui-se pela bondade e adequação da matriz do sistema, sem prejuízo de naturais actualizações e aperfeiçoamentos, e pelo reconhecimento dos progressos verificados na sua execução, a exigir contudo constante e reforçado esforço para a superação das muitas ineficiências ainda verificadas, em ordem a concretização na vida de cada criança das imensas virtualidades de um sistema exigente mas virtuoso, incentivador da qualidade da intervenção aos vários níveis.