PP010 Analítico de Periódico P88_44 | |
RIBEIRO, Gonçalo de Almeida Compreender o estado de excepção constitucional / Gonçalo de Almeida Ribeiro Julgar, Lisboa, n.44 (Maio-Ago. 2021), p.133-156 Estante n.º 13 DIREITO CONSTITUCIONAL, ESTADO DE EXCEPÇÃO, PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE, ORGANIZAÇÃO DO PODER O estado de excepção parece encerrar o paradoxo de a ordem constitucional se defender através da sua própria suspensão. A Constituição procura dissolver este paradoxo através de um modelo de suspensão regulada, situado entre os extremos da suspensão integral e do negacionismo da excepção. A essência deste arquétipo exprime-se através de dois enunciados fundamentais: defesa proporcional da ordem constitucional e limites categóricos ao poder de emergência. Estes concretizam-se através dos regimes da suspensão do exercício de direitos (a vertente material) e da organização do poder de emergência (a vertente orgânica). Apesar das suas virtudes, este modelo não evita duas vulnerabilidades crónicas dos regimes jurídicos de excepção: a impossibilidade de garantir o restabelecimento da normalidade e a possibilidade de os meios de defesa serem insuficientes. A resposta constitucional ao espectro do decisionismo é um último reduto de ética de convicção perante a aleatoriedade do mundo. |