Centro de Documentação da PJ
Monografia

CD313
MARTINS, Ana Margarida Ramião
Sentimento de insegurança e vitimação no ciberespaço [Documento electrónico] : a relação entre variáveis individuais e contextuais / Ana Margarida Ramião Martins.- Porto : [s.n.], 2018.- 1 CD-ROM ; 12 cm
Dissertação de Mestrado em Criminologia, apresentada à Faculdade de Direito da Universidade do Porto, tendo como orientadora Inês Maria Ermida de Sousa Guedes. Resumo inserto na publicação. Ficheiro de 2,38 MB em formato PDF (133 p.).


FURTO DE IDENTIDADE, CRIME VIA INTERNET, ESTUDO DE CASOS, TESE, PORTUGAL

A presente dissertação teve por objetivo, através de uma análise quantitativa a uma amostra de 832 indivíduos, perceber a importância das variáveis individuais e das variáveis contextuais na vitimação de furto de identidade online e nas dimensões do sentimento de insegurança (medo do furto de identidade online, perceção do risco de vitimação de furto de identidade online e adoção de comportamentos de segurança). As mulheres têm níveis mais altos de medo do furto de identidade online, uma perceção do risco de vitimação de furto de identidade maior e adotam mais comportamentos de segurança em relação aos homens. Os indivíduos mais velhos têm um risco percebido de vitimação no furto de identidade online superior em relação aos mais novos. Os indivíduos com uma perceção socioeconómica mais baixa reportam níveis mais altos de medo do furto de identidade online, assim como uma perceção do risco de vitimação de furto de identidade online maior. Em relação à exposição ao risco, verificamos que a interação com desconhecidos na Internet se correlacionou negativamente com o medo do furto de identidade online. Por sua vez, as atividades financeiras e abrir links, anexos ou ficheiros correlacionaram-se positivamente com a perceção do risco de vitimação de furto de identidade online. Além disso, averiguou-se que as atividades financeiras, a interação com desconhecidos, a abertura de links, anexos ou ficheiros e clicar e visitar conteúdos de risco correlacionou-se negativamente com a adoção de comportamentos de segurança. A vitimação direta e indireta foi independente ao medo do furto de identidade online, risco percebido e adoção de comportamentos de segurança. O autocontrolo (operacionalizado com a escala de autocontrolo de Grasmick et al. (1993) possui uma correlação negativa com a dimensão comportamental, mas não há qualquer correrlação com as restantes componentes do sentimento de insegurança. Não se encontraram diferenças estatisticamente significativas nas variáveis sociodemográficas - perceção do estatuto socioeconómico, sexo e idade – e a vitimação de furto de identidade online. Em relação aos elementos da Teoria das Atividades de Rotina, verificamos que apenas “clicar e visitar conteúdos de risco” esteve associado à vitimação de furto de identidade online. Por último, o autocontrolo não influenciou na experiência de vitimação de furto de identidade online.