Centro de Documentação da PJ
Monografia

CD318
RODRIGUES, Miguel Oliveira
Violência doméstica e envolvimento parental na escola [Documento electrónico] : perspetivas de mães e filhos / Miguel Oliveira Rodrigues.- Lisboa : [s.n.], 2017.- 1 CD-ROM ; 12 cm
Tese defendida em provas públicas para a obtenção do grau de Doutor em Educação, na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, sob a orientação de Alcina Manuela de Oliveira Martins. Resumo inserto na publicação. Ficheiro de 6,29 MB em formato PDF (319 p.).


VIOLÊNCIA DOMÉSTICA, EDUCAÇÃO, VITIMAÇÃO, TESE

Os impactos negativos causados pela violência doméstica contra a mulher, pelo seu companheiro masculino, são uma realidade conhecida e comprovada, a nível da vitimação, na maioria dos estudos, que se debruçam sobre este fenómeno. Os impactos podem afetar vários domínios da vida destas mulheres, incluindo as suas capacidades parentais, como, por exemplo, o seu envolvimento no processo educativo dos filhos. O nosso objetivo será o de analisar o impacto da vitimação da mulher vítima de violência conjugal, no seu envolvimento parental na escola dos filhos, e respetivas consequências nos comportamentos e desempenho escolar do filho, no contexto social português. Para tal, utilizamos uma abordagem metodológica quantitativa, envolvendo uma amostra de 700 indivíduos, correspondendo a 350 mulheres vítimas de violência doméstica e 350 crianças e jovens, filhos destas vítimas, sendo 50 de cada NUTS II, abrangendo todo o país. A recolha de dados inclui um questionário, o qual comporta os dados intrafamiliares e sociodemográficos, contexto familiar, contexto do crime e suas envolvências, contextos comportamentais e escolares dos filhos e a avaliação do envolvimento parental na escola da mulher vítima. Alguns dos resultados mais relevantes obtidos evidenciam que as mulheres vítimas de violência doméstica apresentam melhores avaliações de envolvimento parental na escola, que os seus filhos percecionam sobre si, em todas as dimensões deste envolvimento. As vítimas que apresentam melhores avaliações de envolvimento parental na escola são as mais jovens, que possuem apenas um filho e que trabalham, que são independentes economicamente, que foram vitimizadas durante menos tempo e sem consequências físicas, cujo agressor foi efetivamente preso, e que não mantêm coabitação pós-crime. Relativamente aos filhos destas vítimas, estas apresentam, maioritariamente, impactos negativos ao nível dos seus comportamentos quotidianos e escolares pós-crime, particularmente mais deprimidos e/ou agressivos. Neste contexto, mais de metade destes filhos apresenta um quadro de retenções no seu percurso escolar, com uma média cinco vezes superior quando comparado com a média nacional. Observamos igualmente uma relação direta entre os filhos, que são também vítimas deste crime, que costumam intervir no decorrer do mesmo e que não são sinalizados à CPCJ quando vítimas diretas ou indiretas, com impactos negativos nos seus comportamentos e desempenhos escolares.