CD301

Centro de Documentação da PJ
Analítico de Monografia
ANICA, Aurízia
Representações da violência criminal feminina em Portugal no discurso antropológico oitocentista [Documento electrónico] / Aurízia Anica
In: Jorge Crespo - Estudos em homenagem / coordenação Paula Godinho, Susana Pereira Bastos e Inês Fonseca. [Lisboa] : 100Luz, Dezembro 2012., p. 209-231. ISBN 978-989-95757-7-6. Resumo inserto na publicação.


VIOLÊNCIA, MULHER, AGRESSÃO FÍSICA, CRIMINALIDADE FEMININA, ANÁLISE SOCIAL, HISTÓRIA, PORTUGAL

Neste texto analisa-se a transformação do discurso antropológico sobre o género na violência criminal e respetiva penalização, em Portugal, desde as «Luzes» até ao socialismo do final do século XIX. O discurso predominante ao longo de oitocentos legitimou a diferenciação das penas previstas para certos crimes julgados como especificamente femininos com argumentos baseados na ideia da desigualdade natural dos sexos e consequente assimetria da criminalidade. Todavia, sobre este pano de fundo despontaram sensibilidades diferentes quanto à possibilidade de regenerar o tecido social, tendo o paradigma anatomofisiológico de explicação do crime conduzido a um ceticismo perante a possibilidade de corrigir os «selvagens da civilização», em especial, as «criminosas degeneradas». Foi este pessimismo que a Antropologia socialista procurou ultrapassar, remetendo para o domínio do patológico todo o crime que não fosse suscetível de prevenção ou correção pela alteração das condições de vida dos seus autores. Pretende-se contribuir para a compreensão do caráter arbitrário da dicotomia entre antropologia física e antropologia cultural que conduziu a excluir da história da antropologia cultural os estudos mais antigos sobre o género na criminalidade.