Centro de Documentação da PJ 36473 |
| DUARTE, Felipe Pathé O jihadismo como "anti-movimento" social / Felipe Pathé Duarte Investigação Criminal, Ciências Criminais e Forenses. IC3F, Lisboa, Nº 2 (abril 2018), p. 46-60 (*) CD 292. Resumo inserto na publicação. ISLAMISMO, JIHAD ISLÂMICA, TERRORISMO, ANÁLISE SOCIAL Interpretamos o islamismo como sendo uma razão política plausível e o jihadismo como a sua degenerescência violenta - logo, como razão política improvável. Para dar corpo a este esquisso, recorremos à teoria dos movimentos sociais. E considerámos três níveis de análise, cujo vector diferencial é o uso da violência - o movimento social, o “anti-movimento” social e o movimento terrorista. Assim, neste quadro genérico, partindo do elemento discursivo, consideramos o islamismo como movimento social e o jihadismo como o seu “anti-movimento”, mas ainda não como um puro movimento terrorista. Com estas coordenadas podemos atestar que ainda há uma certa afinidade electiva entre o islamismo e o jihadismo. Contudo diferem substancialmente, sendo que a principal clivagem está na defesa incondicional do uso da violência armada e na inversão e fusão dos três princípios da teoria dos movimentos sociais de Alain Touraine - o da identidade, o da oposição e o de totalidade. Em ambos os casos, mas sobretudo no jihadismo, a ideologia, balizada por preceitos religiosos, reifica-se na prática - faz-se, portanto, na acção. O objectivo deste artigo passa então por fornecer um conjunto de instrumentos conceptuais para ler o jihadismo além de algumas das suas opções tácticas. A ideia é ler o jihadismo como fundamento de uma subversão armada, para lá da habitual perspectiva que o define e o confunde com a sua dimensão operacional, o terrorismo. |