Centro de Documentação da PJ
Analítico de Periódico

36280
BUEKENHOUT, Inês
O intervalo post-mortem nas ciências forenses / Inês Buekenhout
Investigação Criminal, Ciências Criminais e Forenses. IC3F, Lisboa, Nº 1 (outubro 2017), p. 104-129
CD 283.


EXAME MÉDICO-LEGAL, PATOLOGIA FORENSE, CIÊNCIA FORENSE, METODOLOGIAS

A determinação do intervalo post-mortem, ou tempo decorrido desde a morte, é essencial na investigação forense, auxiliando na compreensão de toda a dinâmica do crime. Quando a morte teve lugar há relativamente pouco tempo, existe um número de métodos aplicados pelo patólogo forense que permite a sua estimativa. Contudo, à medida que o tempo passa, os parâmetros médicos que auxiliam a cronotanatagnose começam a degradar-se, tornando-se uma tarefa cada vez mais difícil e menos precisa. Como tal, diversas outras disciplinas têm-se vindo a debruçar igualmente sobre esta questão. Pretendemos explorar os métodos existentes para a determinação do referido intervalo. Grande parte carece de objetividade, sendo que muitos outros são dependentes das condições ambientais, do local onde o cadáver foi encontrado
e/ou do estado de decomposição do último. Apresentaremos igualmente um estudo desenvolvido na Universidade de Coimbra que procura estudar a fiabilidade da degradação óssea para a estimativa do intervalo post-mortem. A maioria das pesquisas desenvolvidas têm por base um corpo ainda com tecidos moles, sendo evidente a falta de métodos que existem quando tudo o que persiste são os elementos ósseos. Conclui-se que esta é uma área de estudo em necessidade de mais investigação, uma vez que existem ainda diversas dificuldades no estabelecimento de métodos que sejam viáveis para o estudo do intervalo post-mortem em contexto legal. A determinação errónea do período pode levar a impedimentos da justiça, pelo que espírito crítico, cautela e análises múltiplas são aconselhadas.