Centro de Documentação da PJ
Analítico de Periódico

29017
CARRINGTON, Kerry, e outro
Masculinity, rurality and violence / Kerry Carrington, John Scott
British Journal of Criminology, Oxford, Vol. 48, n. 5 (September 2008), p. 641-666
(*) CD217. Tradução parcial do resumo inserto no próprio artigo.


VIOLÊNCIA, CRIMINOLOGIA SOCIAL, AUSTRÁLIA

A assunção de que o tamanho, o anonimato e o controlo social enfraquecido pela vivência urbana geram conflitos sociais, desorganizações e taxas mais elevadas de crime e violência, tem sido a convicção de muitas pesquisas científicas criminológicas e sociais desde o século XIX (i. e. Tönnies 1897; Shaw and McKay 1931; Levin and Lindesmith 1937; Nisbet 1970; Baldwin and Bottoms 1976; Felson 1994). O documento desafia esta convicção e questiona a utilidade da teorização que centraliza na urbe as causas da violência em ambientes rurais. Com base em dados descritivos que mostram que homens rurais apresentam um risco relativamente elevado de infligir danos a si próprios e noutros, o documento explora a questão sócio-criminológica mais ampla das razões desta possibilidade. A questão é examinada em relação aos processos de formação da comunidade que moldam a arquitectura do dia-a-dia da vida rural. Explora-se o modo como, historicamente, essa arquitectura valorizou expressões violentas de masculinidade fundamentada na relação entre o corpo masculino e a paisagem rural em que habitam – mas como a legitimidade destas expressões violentas é desafiada por vastas mudanças sociais, económicas e políticas. Uma resposta psicossocial a estas mudanças da vida rural, concluímos, é um recurso à violência enquanto ampla prática estratégica utilizada para recriar um imaginado género de ordem rural.