Centro de Documentação da PJ 28574 |
| CARDOSO, Luís Sousa Os ciber-ataques e a soberania nacional / Luís Sousa Cardoso Planeamento Civil de Emergência, Lisboa, N.º 19 (2007), p. 4-8 CD 294. CIBERTERRORISMO, CRIME VIA INTERNET, GUERRA "Para as nossas televisões e para os meios de comunicação em geral, terroristas são apenas os opositores do poder estabelecido. Por essa lógica, os representantes do poder estabelecido, seja ele legítimo ou não, jamais serão terroristas, não importando a brutalidade de seus actos. Pela mesma lógica, os nazis que foram responsáveis pelo holocausto jamais seriam terroristas; os judeus, que com armas rudimentares resistiram heroicamente no gueto de Varsóvia, sim. No meu entendimento o terrorismo é uma estratégia política e não militar, e é levada a cabo por grupos que não são fortes o suficiente para efectuar ataques abertos, sendo utilizada em época de paz, conflito e guerra. A intenção mais comum do terrorismo é causar um estado de medo na população ou em sectores específicos da população, com o objectivo de provocar num inimigo (ou seu governo) uma mudança de comportamento. Por isso mesmo irei evitar o uso da palavra terrorista nesta breve discussão sobre ciber-guerra ou guerra electrónica. Assim, a pergunta inicial que motivará esta análise deve ser: «Pode um indivíduo ou um grupo organizado usar um computador ligado a uma rede para criar desordem e destruição num ponto distante do mundo?» ou por outras palavras «Pode um indivíduo ou grupos organizados, sem recorrerem ao uso de bombas ou explosivos, afectarem um sector da economia, ou, por exemplo, quebrarem o fornecimento de energia eléctrica?»" |