Centro de Documentação da PJ
Monografia

CD318
CARVALHO, Ângela Sofia Araújo
Perfil de MicroRNAS [Documento electrónico] : potenciais biomarcadores de amostras de sangue / Ângela Sofia Araújo Carvalho.- Porto : [s.n.], 2020.- 1 CD-ROM ; 12 cm
Dissertação de candidatura ao grau de Mestre em Medicina Legal submetida ao Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto, tendo como orientadora Ana Luísa Pereira Teixeira e co-orientadora Inês Cristina Martins Nogueira. Resumo inserto na publicação. Ficheiro de 879 KB em formato PDF (71 p.).


IDENTIFICAÇÃO DE VESTÍGIOS, MEDICINA LEGAL, BIOLOGIA FORENSE, IDENTIFICAÇÃO BIOLÓGICA, TESE

A identificação de fluidos biológicos é um procedimento importante na Medicina Legal uma vez que o tipo de fluído encontrado num cenário de crime pode indicar a forma como ocorreu ou o tipo de crime. O sangue é o fluído biológico mais frequentemente encontrado sob a forma de manchas que, geralmente, são invisíveis ou apresentam degradação. Deste modo, um dos grandes desafios da Medicina Legal é a identificação de biomarcadores precisos e resistentes a fatores de degradação que conduzam a uma correta identificação de fluídos biológicos. Recentemente, vários autores têm vindo a estudar o potencial dos ácidos nucleicos como possíveis biomarcadores para identificação de fluídos biológicos, nomeadamente os microRNAs (miRNAs). Estes pequenos RNAs não codificantes são responsáveis pela regulação da expressão génica a um nível pós-transcricional com capacidade de inibir ou degradar os mRNAs correspondentes e consequentemente inibir a sua tradução em proteínas. Para além disso, estas moléculas são caracterizadas pela sua especificidade e a sua resistência a fatores de degradação. O principal objetivo deste estudo foi a identificação de um perfil de miRNAs associado a amostras de sangue periférico e sua aplicabilidade no âmbito das ciências forenses. Assim, o presente estudo verificou o potencial da utilização do miRNA-16, miRNA-25, miRNA-142 e miRNA-451b como biomarcadores relacionados com amostras de sangue periférico. Para além disso, foi também avaliada a influência da deposição de amostras de sangue em diferentes tipos de suporte (pedra, plástico e algodão) e a sua exposição prolongada (2 meses) a diferentes condições de temperatura (temperatura ambiente e 37ºC). Após o processamento das amostras nos diferentes tempos de recolha (24h, 1 semana, 1 mês e 2 meses), os miRNAs foram isolados e quantificados. De acordo com os resultados obtidos, verificou-se que mesmo após a exposição das amostras de sangue às diferentes condições, foi possível recuperar uma quantidade favorável de RNA total em boa qualidade. Posteriormente, os níveis de expressão dos miRNA-16, miRNA-25, miRNA-142 e miRNA-451b foram avaliados. Os resultados demonstram que o miRNA-25 e o miRNA-142 apresentam elevada estabilidade quando expostos às diferentes condições de temperatura e depositados durante 2 meses nos diferentes tipos de suporte. Relativamente ao miRNA-16 verificou-se que este miRNA é menos estável que o miRNA-25 e o miRNA-142 ao longo do tempo de exposição. Para além disso, o miRNA-451b não foi detetado na maioria das condições avaliadas ao longo deste estudo. Em conclusão, o miRNA-25 e o miRNA-142 são potenciais biomarcadores para a identificação de amostras de sangue com aplicabilidade nas ciências forenses. No entanto, os resultados sugerem que o miRNA-16 e o miRNA-451b não são bons biomarcadores para identificação de amostras de sangue, uma vez que estes miRNAs são menos estáveis e consequentemente mais dificilmente recuperados. No futuro, seria importante a replicação deste estudo com uma melhor padronização do método de recolha de amostras. Para além disso, seria também importante avaliar os miRNAs avaliados neste estudo em outros fluidos biológicos, de modo a validar a especificidade destes miRNAs para amostras de sangue e a sua aplicabilidade nas ciências forenses como biomarcadores de identificação de sangue periférico.