Centro de Documentação da PJ
Monografia

CD284
MARGATO, Sofia Oliveira
A cobertura mediática da violência contra as mulheres [Documento electrónico] : o caso do Correio da Manhã / Sofia Oliveira Margato.- Coimbra : [s.n.], 2017.- 1 CD-ROM ; 12 cm
Dissertação de Mestrado em Jornalismo e Comunicação, apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, tendo como orientadora Maria João Silveirinha. Ficheiro de 1,21 MB em formato PDF (115 p.). Resumo inserto na publicação.


VIOLÊNCIA DOMÉSTICA, MULHER, IMPRENSA, MEIOS DE COMUNICAÇÃO, TESE, PORTUGAL

A violência contra as mulheres em ambiente doméstico possui uma série de características específicas que a diferenciam de outros tipos de agressão e abuso. Dentro dessas características, pode-se incluir o espaço em que ela ocorre, os sujeitos envolvidos, e o conjunto de fatores psicológicos que estão em questão e que contribuem para a complexidade do problema, podendo obscurecer o seu significado e perceção. A maior parte das agressões sofridas pelas mulheres é decorrente de conflitos interpessoais, o que acaba por merecer pouca atenção da generalidade da sociedade e a sua exposição causa embaraço às próprias mulheres que a sofrem. Apesar dos progressos legislativos, as mulheres ainda continuam restritas no exercício dos seus direitos devido à resistência ideológica que perpetua a discriminação passada e que, portanto, impede a afirmação dos direitos existentes hoje. O papel dos media na erradicação da violência de género é valorizado, assim como o seu contributo para tornar visíveis e socialmente pertinentes, as experiências mais complexas vividas pelas mulheres em privado. Ao denunciarem os maus tratos e agressões a mulheres, os media incorporam o problema no discurso público, podendo dar voz não apenas às autoridades mas também a especialistas e pessoas envolvidas, e sobretudo às mulheres agredidas, o que encorajará outras vítimas a denunciar essas situações e a procurar ajuda junto das entidades competentes. No entanto, muitas vezes este tema é também tratado de uma forma superficial, banal e mesmo sensacionalista, levando à naturalização da violência e transmitindo a ideia de que este problema continua a acontecer apenas em casos particulares e privados e não é uma questão da sociedade em geral.