Centro de Documentação da PJ
Analítico de Periódico

27610
HEURTEVENT, Anita
La femme, object inanitaire, object d'insanité chez un violeur en série / Anita Heurtevent
Revue Internationale de Criminologie et de Police Technique et Scientifique, Genève, Vol. 59, n. 4 (Octobre-Décembre 2006), p. 426-432
Tradução do resumo inserto no próprio artigo. Publicação integral disponível em: http://www.polymedia.ch/htdocs/Files/Criminologie/CR-archives/RICPTS_2006-04.pdf.pdf. Acedido a 05 de Agosto de 2011.


VIOLADOR EM SÉRIE, VÍTIMA, PERFIL PSICOLÓGICO, CRIME SEXUAL

Parece que a questão fulcral na dinâmica agressor-vítima, que o violador em série F. cria quando liberta o seu fantasma, é a do estatuto atribuído à mulher apanhada no esquema de serialização do violador. Para ser mais preciso,o ponto crucial da serialização das agressões de F. deverá ser encontrado numa impossível vitimação da mulher. A intermutabilidade é a pedra angular para estabelecer e manter a serialização. A lógica que suporta a organização destas séries é a de um impossível recontro entre o agressor e a sua vítima, reflexo do impossível encontro do perpetrador com o feminino. um dos parâmetros nas séries dos crimes sexualmente orientados, cometidos por F., é que cada vítima encarna, de cada vez, a mesma e única vítima, mesmo que futuras vítimas possam corresponder a certas especificações relativamente aos métodos operacionais do agressor, tais como as denominadas vítimas de baixo risco, que não têm outro papel para além daquele determinado pelo guião que lhes foi imposto pelo agressor. Com efeito, se a questão em causa tiver de ser examinada à luz do guião, duplamente dirigido e desempenhado pelo agressor, parece que o mesmo - ele próprio recordação de uma insistente cena do passado - exige que o feminino desempenhe o seu papel, que seja a cena privilegiada do ataque. Este artigo tentará definir qual dos aspectos do feminino é o alvo, e como, no caso deste agressor em série, é sempre um aspecto do feminino que escapa e inexoravelmente questiona a ausência da mulher enquanto figura ideal do feminino. Tentar-se-á também mostrar como a série é organizada e alimentada pelo insucesso, sentido pelos agressores, na vitimação de mulheres.