Centro de Documentação da PJ
Monografia

CD371
Canudo, Maria Filipa Freire Carapinha
Diferenças individuais entre hackers e não-hackers e entre hackers black hat, white hat e grey hat [Recurso eletrónico] / Maria Filipa Freire Carapinha Canudo.- Porto : [s.n.], 2024.- 1 CD-ROM ; 12 cm
Dissertação de mestrado em Criminologia apresentada à Faculdade de Direito da Universidade do Porto, tendo como orientadora Inês Maria Ermida de Sousa Guedes e coorientador Samuel Moreira. Ficheiro de 3,39 MB em formato PDF (118 p.).


HACKER, PIRATARIA INFORMÁTICA, COMPORTAMENTO DESVIANTE, PSICOLOGIA CRIMINAL, ESTUDO DE CASOS

A acentuada evolução tecnológica leva à criação de novos comportamentos criminais, surgindo o hacking. Este pode ser visto, de forma abrangente como “o acesso, autorizado ou não, a sistemas informáticos” (Holt, 2007), englobando propósitos éticos e não éticos. Existem ainda muitas lacunas na investigação científica quando a este fenómeno. Procurando colmatar algumas destas, este estudo tem como objetivo explorar as diferenças individuais que relevam para a prática de hacking e para a prática de diferentes tipos de hacking (black hat, grey hat e white hat). De forma a alcançar este objetivo, foi construído e aplicado um inquérito a uma amostra de 593 indivíduos, tendo o mesmo sido divulgado por universidades, fóruns e empresas de informática. Havendo um enfoque em variáveis individuais, foram analisadas variáveis sociodemográficas, autocontrolo, traços de personalidade (recorrendo ao Modelo Big Five, de Costa & McCrae, 1992 e ao Modelo Dark Triad, de Paulhus & Williams, 2002) e motivações para a prática de hacking. No total, 20.4% (n=121) dos participantes reportou ter praticado pelo menos um comportamento de hacking nos últimos 12 meses. Destes, 17.4% autoidentificaram-se como black hats, 24.4% como grey hats e 58.1% como white hats. Os resultados demonstram que os hackers tendem a ser do sexo masculino, mais jovens e a estudar ou a trabalhar na área informática. Apresentam também um menor autocontrolo. Relativamente aos traços de personalidade, apresentam menor agradabilidade e maior neuroticismo, maquiavelismo e psicopatia. Face às diferenças entre os tipos de hackers observou-se que, em termos sociodemográficos, os white hat encontram-se mais envolvidos na área informática e os black hat menos. O autocontrolo revelou-se mais baixo nos black hats e mais alto nos white hats, tal como a agradabilidade. Finalmente, o maquiavelismo e a abertura à experiência foram mais elevados nos black hat e mais baixo nos white hat e o narcisismo foi mais elevado nos grey hat e mais reduzido nos black hat. Finalmente, no que diz respeito às motivações, “proteger e defender” e “fazer o bem/ajudar os outros” foram as motivações mais importantes para os white hat e menos importantes para os black hat, enquanto a “procura de sensações” foi significativa, sendo mais importante nos black hat e menos nos white hat.