Centro de Documentação da PJ
Monografia

CD184
GOMES, Sílvia
Crime na imprensa [Documento electrónico] : representações sobre imigrantes e ciganos em Portugal / Sílvia Gomes.- Braga : Centro de Investigação em Ciências Sociais. Universidade do Minho, 2011.- 1 CD-ROM ; 12 cm. - (ComTextos. CICS Working paper ; 1)
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CRIMINALIDADE, MIGRANTE, CIGANOS, MINORIA ÉTNICA, MEIOS DE COMUNICAÇÃO DE MASSAS E O PÚBLICO, ANÁLISE SOCIAL, PORTUGAL

A partir da observação dos jornais diários portugueses em 2008 e 2009, pretende-se neste texto analisar os discursos e representações veiculados pela imprensa acerca da criminalidade praticada por grupos étnicos minoritários. O objectivo será perceber de que forma as narrativas construídas pelos media constroem e reproduzem as lógicas do poder instituído e discutir as possíveis implicações desses discursos na formação de estereótipos que associam a prática do crime a determinados grupos sociais. Os estudos sobre os efeitos dos media nas representações sobre a criminalidade permitem aferir que estes sugerem aos cidadãos sobre como pensar o crime, os "criminosos" e o papel das autoridades. Ou seja, a mediatização da criminalidade produz visões amplamente partilhadas e consensuais junto de diversas comunidades, ao mesmo tempo que alimenta, junto do público em geral, visões estereotipadas sobre os "criminosos", podendo associar determinado tipo de criminalidade aos grupos socialmente excluídos e minorias étnicas, tais como ciganos e imigrantes. No âmbito deste trabalho encara-se a mediatização da criminalidade como um exemplo de um produto de uma indústria cultural que alimenta representações da ordem social, dos "criminosos" e das causas do crime que se subordinam às lógicas de mercado e às estruturas culturais, económicas e políticas prevalecentes. São assim veiculadas visões de ordem social destinadas a promover o consenso ideológico e o controlo sócio-político. Isso é feito pela ênfase exagerada nos riscos de vitimização e pela construção do chamado “pânico moral” assentes em construções narrativas mediáticas, cujo propósito é o de suscitar adesão emocional por parte do público. Estes discursos dos media resultam de uma lógica global de comodificação do espaço público, assente na criminalização da pobreza e no medo das populações "incómodas".