CD 318

Centro de Documentação da PJ
Analítico de Monografia
COSTA, Susana
Quem não quer ser lobo não lhe veste a pele [Documento electrónico] : análise do caso Saltão / Susana Costa
In: Direito - justiça, políticas públicas e as relações entre estado e sociedade / org. Adaylson Wagner Sousa de Vasconcelos, Thamires Nayara Sousa de Vasconcelos. – Ponta Grossa – Paraná : Atena, 2021. - p. 121-128. Ficheiro de 6,9 MB em formato PDF (27 p.). Resumo inserto na publicação.


HOMICÍDIO, POLÍCIA CIENTÍFICA, PRODUÇÃO DE PROVA, TÉCNICA DE INVESTIGAÇÃO CRIMINAL, ESTUDO DE CASOS, PORTUGAL

Os documentos produzidos pela polícia medeiam os entendimentos entre a cena do crime e o tribunal. A polícia dá visibilidade a uma narrativa e atribui legitimidade à sua performance. A decisão de dar a ver certos aspetos da narrativa, deixando outros invisíveis depende, em larga medida, do conhecimento forense e da consciência forense dos atores envolvidos e pode ter repercussões na produção de uma prova robusta e, consequentemente, na sentença em tribunal. Este artigo baseia-se na análise de um caso de homicídio ocorrido em 2012 e julgado num tribunal português que ficou conhecido como o caso Saltão. Explorando este caso, cuja principal suspeita foi Ana Saltão, uma inspetora da Polícia Judiciária (PJ) acusada de matar a avó do marido, procurarei mostrar como a consciência forense foi mobilizada pela defesa e pela acusação de diferentes formas. Por um lado, a acusação e a polícia de investigação criminal construíram a sua narrativa baseando-se na sua intuição de que Ana Saltão era a principal e única suspeita do homicídio da senhora, justificando alguns dos contornos do crime com o conhecimento de Ana Saltão para não deixar vestígios. Por outro lado, a defesa de Saltão usou o seu próprio conhecimento como profissional da polícia para tornar visíveis as fragilidades da atividade policial, desconstruindo toda a prova recolhida, tentando vestir a pele da ovelha e transformando a polícia em lobo. Quem é o lobo? Quem é a ovelha?