Centro de Documentação da PJ 28526 |
| FLORES, Francisco Moita Da violência nas cidades à violência nas metrópoles / Francisco Moita Flores O Perito. Tecnologias e polícia, Lisboa, Ano 3, n.º 1 (Janeiro-Junho 1997), p. 19-25 VIOLÊNCIA URBANA, SOCIOLOGIA CRIMINAL, POLÍCIA DE INVESTIGAÇÃO CRIMINAL, CRIME URBANO, PREVENÇÃO CRIMINAL, PORTUGAL Caracterização sociológica da cidade de Lisboa e do tipo de crime praticado pela sua população desde os finais do séc. XIX até à data. Associando o tipo de crimes à “dimensão demo-urbanística da cidade”, observa-se na Lisboa do início do séc. XX os furtos, rixas e homicídios, sendo estes últimos motivados pelas situações de adultério, disputas passionais, excesso do consumo de bebidas alcoólicas, entre outras situações de “justiça privada para lavar em sangue a honra ultrajada”. A transição do “cajado e bengala”, como instrumento do crime, para a “faca e o punhal”, bem como depois, para a “pistola e o revólver” são manifestações das renovadas realidades sociais, económicas, culturais e políticas que exigiriam a institucionalização de uma Polícia de Investigação Criminal em 1918, que se manteve, até 1945, como uma polícia exclusivamente metropolitana. Sabendo que os termos “política” e “polícia”, ambos derivados do mesmo étimo - “Pólis” - significam, respectivamente, a “arte de administrar a cidade” e o “auxiliar da administração da cidade”, é colocada a questão se estes são ainda adequados para a gestão das metrópoles actuais. É que o grande problema da nova violência gerada pelo “homem metropolitano” não está na qualidade, mas sim na quantidade da violência e, sendo a “polícia” um “mero auxiliar da administração da cidade”, a resposta para este problema tem de ser “política”. |