Centro de Documentação da PJ 27258 |
| LAGOA, Arlindo M., e outro Impressões digitais como evidência para identificação genética / Arlindo M. Lagoa, M. Fátima Pinheiro Polícia e Justiça, Loures, III Série, n.º 7 (Janeiro-Junho 2006), p. 253-271 CD 351. DACTILOSCOPIA, GENÉTICA, ADN, ANÁLISE DE VESTÍGIOS, RECOLHA DA PROVA Sempre que um crime é cometido, o exame do local é uma tarefa essencial, sem a qual seria certamente impossível a resolução da esmagadora maioria dos casos. Uma das principais preocupações dos investigadores é a recolha de vestígios dermopapilares, principalmente de impressões digitais, que permitam relacionar um suspeito com a cena do crime. A análise destes vestígios anatómicos, tradicionalmente lofoscópica, hoje pode ter uma abordagem completamente distinta, através da determinação do seu perfil genético. Quando se toca em superfícies ou se manipula objectos, podem ficar aderentes algumas células nucleadas que possibilitam, se houver um tratamento adequado, a extracção do DNA e consequente análise. Contudo, o número de células depositadas é normalmente muito baixo, permitindo apenas extrair quantidades de DNA muitas vezes inferiores a 100 pg. Além disso, uma fracção deste DNA encontra-se degradada em fragmentos múltiplos de 200 pb, como resultado do fenómeno de apoptose, característico destas células. Aumentar para 34 o número de ciclos da PCR [Polymerase Chain Reaction] permite analisar estas quantidades exíguas de DNA, através de STRs [Short Tadem Repeat]. No entanto, este aumento da sensibilidade induz a formação de vários artefactos, como “allele dropout”, “locus dropout” e aumento de produtos “stutter”. Tem sido também demonstrado, que pode ocorrer transferência de DNA de indivíduos não relacionados com o crime, antes, durante ou depois do evento criminoso, por transferência transversal. Estas dificuldades podem levar a incertezas relacionadas com a atribuição dos perfis genéticos das amostras, comprometendo, por vezes, os resultados. É, por isso, necessário ter especial cuidado na interpretação dos mesmos. Todavia, esta metodologia de análise de impressões digitais, constituirá seguramente uma inovação promissora na identificação individual. |