Centro de Documentação da PJ
Analítico de Periódico

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OLIVEIRA, Madalena Sofia, e outros
O contágio transgeracional da agressividade : a propósito da violência no namoro / Madalena Sofia Oliveira, Ana Isabel Sani, Teresa Magalhães
Revista Portuguesa do Dano Corporal, Coimbra, Ano 21, n.º 23 (Dezembro 2012), p. 175-188
Resumo inserto no artigo.


VIOLÊNCIA, AGRESSÃO FÍSICA, JOVEM, ESTUDO DE CASOS, PORTUGAL

A violência doméstica constitui, segundo a Organização Mundial de Saúde um grave problema de saúde, o qual urge combater através de estratégias concertadas e multidisciplinares. Na raiz deste problema pode estar a transmissão intergeracional da violência. A investigação sobre violência nos relacionamentos, designadamente nas relações de namoro de adolescentes, é ainda bastante escassa, havendo, no entanto, estudos de países onde o fenómeno começou a ganhar uma visibilidade preocupante. A reprodução de comportamentos violentos ao longo de gerações tem vindo a ser debatida na literatura, focalizando-se a base etiológica, muito frequentemente, em modelos de aprendizagem social que apontam a observação de comportamentos e modelos de conduta violenta como estando na base da transmissão intergeracional da violência, designadamente no seio de uma família. A investigação sobre a prevalência da violência nas relações de namoro é, pois, fundamental para o desenvolvimento de estratégias preventivas e para a construção de modelos de intervenção mais eficazes. Tendo em vista contribuir para uma melhor compreensão do fenómeno da intergeracionalidade da violência e perceber o reflexo deste na emergência de relações de namoro violentas no contexto português, realizamos um estudo que contou com uma amostra de 283 estudantes do ensino secundário do distrito do Porto, de ambos os géneros e com idades entre os 15 e os 19 anos. A recolha dos dados quantitativos foi realizada com recurso a três instrumentos de investigação: o “Inventário de Violência Conjugal”, a “Escala de Sinalização do Ambiente Natural Infantil” e a “Escala de Crenças da Criança sobre a Violência”. Os resultados corroboram os dados da literatura, indicando que 37.6% dos 133 sujeitos que à data do estudo mantinham relações amorosas, já tiveram pelo menos um comportamento agressivo para com o(a) seu/sua parceiro(a) e 57% disse ter sido vítima de abusos. Dos 237 estudantes que mantiveram relação de namoro no passado, 45.1% admitiram ter praticado um ato abusivo com o(a) seu/sua parceiro(a) e 57% assumiram ter sido vítimas de comportamentos abusivos nas suas relações passadas. O mesmo se verifica na sinalização de comportamentos violentos em contexto familiar, dado que 16.3% referiram ter assistido no último ano, uma ou duas vezes, a comportamentos violentos. Os resultados apontam, ainda, a existência de uma relação estatisticamente significativa entre a sinalização de comportamentos violentos no seio familiar e a presença de relações de namoro abusivas.