Centro de Documentação da PJ
Monografia

CD210
CD287
MOREIRA, Nuno Ricardo
Forensic accounting em Portugal [Documento electrónico] : evidências empíricas / Nuno Ricardo Moreira.- [Vilarinho das Cambas] : Edições Húmus ; OBEGEF - Observatório de Economia e Gestão de Fraude, 2010.- 1 CD-ROM ; 12 cm. - (Colecção Tramas ; 1)
Resumo inserto na publicação. Ficheiro de 1,86 Mb em formato pdf (206 p.).
ISBN 978-989-8139-61-0


AUDITORIA, PERÍCIA CONTABILÍSTICA, FRAUDE FINANCEIRA, PORTUGAL

Nos últimos anos, as sucessivas fraudes e escândalos financeiros a nível mundial, têm-nos mostrado que a função de Auditoria, concretamente nas suas vertentes "interna" e "externa", apresenta limitações quer numa óptica de prevenção quer numa óptica de detecção da Fraude Ocupacional, ou seja, perante um tipo de Fraude de índole económica. Limitações que decorrem directamente dos pressupostos em que assenta, da sua metodologia de trabalho, bem como do seu próprio normativo, o qual não lhe confere actualmente uma responsabilidade primária no seu combate. Este facto, tem contribuído para a existência de um gap entre o que a função de Auditoria proporciona e o que a sociedade dela exige (Audit Expectation gap), desde logo porque a sociedade tem cada vez mais dificuldade em aceitar que a Auditoria não tem uma responsabilidade social e um papel primário no combate à Fraude. Paralelamente e consequentemente, foi inevitável que a Auditoria tivesse aberto caminho a uma outra área de conhecimento, conceptualmente mais abrangente, vocacionada e com enfoque na Fraude Ocupacional, a qual exige aos profissionais que a exercem competências significativamente mais amplas e multidisciplinares: A Forensic Accounting. Foi na convicção que é premente definir uma linha de orientação que, na actual realidade socioeconómica, se assuma como uma opção efectivamente eficaz no combate à Fraude Ocupacional, bem como, que esta opção passa necessariamente pela Forensic Accounting, que decidimos fazer este nosso estudo, tentando avaliar, a respeito, se existem evidências empíricas desta área do conhecimento na realidade portuguesa. Tivemos como principal referência e termo de comparação os países anglófonos, muito em especial, o exemplo dos EUA. Em Portugal, a Forensic Accounting não está reconhecida social e institucionalmente, não está regulamentada, não existe nenhum reconhecimento oficial previsto para os profissionais que através da sua actividade a possam eventualmente enquadrar, nem tão pouco o seu enquadramento formal ou legal nas atribuições de profissionais reconhecidos oficialmente, em especial, os provenientes da área da Contabilidade ou Auditoria. Mesmo assim, conscientes desta realidade em Portugal, avançamos para este nosso estudo na expectativa que já existe a nível nacional trabalho desenvolvido por algumas classes profissionais, que pode ser enquadrado ou classificado no âmbito da Forensic Accounting, apesar de não ser denominado desta forma nem como alguma das suas vertentes e/ou ópticas que definimos conceptualmente. Tendo em conta os profissionais que escolhemos para o nosso estudo empírico, suportando teoricamente esta nossa escolha, a saber, Administrador de Insolvência, Auditor Interno e Polícia Judiciária, de acordo com determinados pressupostos que adoptamos na metodologia que usamos no nosso estudo empírico, pudemos confirmar que a actividade desenvolvida por estas classes profissionais pode, efectivamente, ser enquadrada na Forensic Accounting.