Centro de Documentação da PJ
Monografia

CD313
REBOLEIRA, Nuno Gonçalo Inácio
Caracterização química de resíduos de pólvora na identificação de munições [Documento electrónico] / Nuno Gonçalo Inácio Reboleira.- Lisboa : [s.n.], 2013.- 1 CD-ROM ; 12 cm
Dissertação de candidatura ao grau de Mestre em Química apresentada à Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, tendo como orientador Carlos Manuel Ferreira de Sousa Borges e co-orientadora Sara de Jesus de Vidigal e Almada Lobo. Resumo inserto na publicação. Ficheiro de 3,39 MB em formato PDF [77 p.].


ARMA DE FOGO E MUNIÇÕES, QUÍMICA FORENSE, CROMATOGRAFIA, ESPECTROMETRIA, TESE, PORTUGAL

Nos nossos dias a criminalidade representa uma das maiores chagas sociais. Na grande maioria dos crimes contra a vida, as armas de fogo estão presentes e, por essa razão, os elementos municias, os resíduos de disparo e até as próprias armas de fogo são dos objetos mais encontrados no local do crime. Em todos os casos uma grande questão se levanta “Quem disparou a arma?”. Estudos anteriores sobre gunshot residues (GSR) e pólvora não deflagrada, focam apenas os constituintes inorgânicos, que são analisados através de microscopia eletrónica de varrimento ou técnicas similares. Uma vez que estes constituintes são praticamente invariáveis, independentemente da munição, do seu fabricante ou país de origem, esta análise permite apenas identificar o material como sendo ou não GSR. Assim sendo, é fundamental a realização de outros tipos de estudos do GSR bem como da pólvora não deflagrada. Uma das formas de contribuir com nova informação para a investigação é estudar os compostos orgânicos da pólvora através de Cromatografia Gasosa acoplada à Espectrometria de Massa (GC-MS), com particular atenção à Difenilamina (DPA) e à Etil-centralite (EC). Estes dois compostos são estabilizadores da pólvora, altamente reativos, ou seja, durante a sua ação de estabilização vão se degradando levando à formação de derivados. Neste estudo identificaram-se os estabilizadores presentes na pólvora não deflagrada e nos GSR de munições disparadas pertencentes ao mesmo lote das não deflagradas, mantidas sobre condições de armazenamento conhecidas e controladas. Através da comparação qualitativa e quantitativa dos estabilizadores e respetivos derivados da pólvora não deflagrada e do GSR, conclui-se que é possível chegar a uma concordância relativa entre ambos. Isto porque, após a análise qualitativa, foi realizada a análise quantitativa onde se verificou um padrão, relativamente aos valores obtidos, isto é, obteve-se na maioria dos casos um decréscimo da quantidade de estabilizador e derivados, que variou entre os 96,83 % e os 99,98 %, com exceção em um dos casos cujo decréscimo observado foi de 70%. Este aspecto leva a conclusões muito interessantes, sendo possível a realização destas análises para exclusão de um suspeito ou, por outro lado, fortalecer ainda mais as suspeitas sobre determinado individuo. Futuramente, através de um estudo estatístico, poderá ser possível realizar identificações com grande grau de certeza utilizando este tipo de compostos para análise. Assim verificou-se que o que inicialmente se apresentava como uma desvantagem na identificação das pólvoras, isto é, a grande reatividade dos seus constituintes orgânicos, nomeadamente dos seus estabilizadores, acabou por se tornar um aliado das ciências forenses, permitindo uma grande concordância entre as pólvoras não deflagradas e o GSR.