Centro de Documentação da PJ
Analítico de Periódico

CD 292
PRATAS, Cristina
A titularidade e o acesso pelo doente ao processo clínico [Documento electrónico] / Cristina Pratas
Lex Medicinae. Revista Portuguesa de Direito da Saúde, Coimbra, Ano 15, n.º 30 (Julho-Dezembro 2018), p. 113-127


DADOS PESSOAIS, SEGREDO PROFISSIONAL, MÉDICO, REGULAMENTO

A titularidade e o acesso ao processo clínico é um tema que cada vez mais suscita debate, em particular face à aplicação do Regulamento (EU) 2016/679 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 27 de abril de 2016, nos 28 Estados Membros. Este Regulamento, motivado pela rápida evolução tecnológica e pelo fenómeno da globalização que transformaram
a economia e a vida social, poderá estar mais formatado para a proteção de dados no espaço cibernético, do que para setores tão específicos como é o setor da saúde. Já longe da era da “mistificação” dos médicos e da medicina, a relação médico-paciente claramente evoluiu do “paternalismo médico” para o “paciente cidadão”, tendo gerado um processo de mudança irreversível, onde o doente é o primeiro responsável pela sua própria saúde. Conquistado o acesso direto à respetiva informação de saúde, continua a ser pertinente refletir se o doente, na sua medida de bonus pater familiae, estará preparado para processar e entender a informação diretamente recolhida, sem qualquer intermediação de um médico, se assim for essa a sua opção, e se será capaz de resistir a pressões das seguradoras ou mesmo das entidades empregadoras.