Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça | |||
| Processo: |
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| Nº Convencional: | JSTJ00028167 | ||
| Relator: | LOPES PINTO | ||
| Descritores: | ESTUPRO VIOLAÇÃO CRIME QUALIFICADO MEDIDA DA PENA AGRAVANTES CONVOLAÇÃO CRIME CONTINUADO | ||
| Nº do Documento: | SJ199509290483103 | ||
| Data do Acordão: | 09/29/1995 | ||
| Votação: | UNANIMIDADE | ||
| Texto Integral: | N | ||
| Privacidade: | 1 | ||
| Meio Processual: | REC PENAL. | ||
| Decisão: | PROVIDO PARCIAL. | ||
| Área Temática: | DIR CRIM - CRIM C/SOCIEDADE. DIR PROC PENAL. | ||
| Legislação Nacional: | |||
| Jurisprudência Nacional: | |||
| Sumário : | I - Comete não o crime de violação mas o de estupro, o arguido que: - sendo encarregado de uma fábrica, onde a ofendida trabalhava desde os 11 anos, costumando levá-la a ela e outras empregadas a casa, de automóvel, quando saiam fora do horário normal de trabalho, aos 14 anos começa a dirigir-lhe piropos e oferecer-lhe um par de sapatos, passados alguns meses, mais uma vez a leva de automóvel, pára numa mata, convida-a a dar uns beijinhos, ao que ela responde que quer ir para casa, começa a beijá-la na boca e a acariciar-lhe os seios e as coxas, acaba por a desnudar e desnudar-se, procura-se excitar esfregando o pénis erecto nas partes genitais dela, ao que ela se queixa das dores e diz "voçê veja lá o que me vai fazer" e acaba por introduzir o pénis erecto na vagina dela, ejaculando para fora; sendo ela rapariga séria, virgem, que nem sequer nunca tinha visto praticar actos semelhantes ou visto filmes ou revistas eróticas. II - Isto porque não há elementos seguros que tenha havido qualquer oposição da ofendida ou que ele estivesse a negar-lhe a sua liberdade de auto-determinação. III - As cópulas posteriores mantidas com a ofendida nas mesmas circunstâncias não integram uma continuação criminosa, porque não preenchem o tipo de crime, na medida em que a ofendida, ao voltar a aceitar boleias, já não se encontra desprevenida e, por isso, elas acontecem por sua colaboração ou aceitação. IV - O crime não é agravado pela circunstância de o arguido ser superior da ofendida, por não se provar que ele tivesse agido com grave ofensa dessas funções. | ||