Acórdão do Tribunal da Relação do Porto | |||
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| Nº Convencional: | JTRP00020809 | ||
| Relator: | ANTONIO GONÇALVES | ||
| Descritores: | ARRENDAMENTO MISTO ACÇÃO DE DESPEJO FALTA HABITAÇÃO INQUILINO ABUSO DE DIREITO | ||
| Nº do Documento: | RP199704149651020 | ||
| Data do Acordão: | 04/14/1997 | ||
| Votação: | UNANIMIDADE | ||
| Tribunal Recorrido: | T CIV PORTO 5J | ||
| Processo no Tribunal Recorrido: | 1795-2S | ||
| Texto Integral: | N | ||
| Privacidade: | 1 | ||
| Meio Processual: | AGRAVO. APELAÇÃO. | ||
| Decisão: | DECIDIDO NÃO TOMAR CONHECIMENTO. CONFIRMADA A SENTENÇA. | ||
| Área Temática: | DIR CIV - TEORIA GERAL / DIR CONTRAT. | ||
| Legislação Nacional: | CCIV66 ART334. | ||
| Jurisprudência Nacional: | AC STJ DE 1990/05/03 IN BMJ N397 PAG459. | ||
| Sumário: | I - O abuso de direito manifesta-se na oposição à função social do direito excedendo-se anormalmente o seu uso, não sendo necessário que o agente tenha a consciência de se excederem, com o exercício do direito, os limites impostos pela boa fé, pelos bons costumes ou pelo fim social ou económico desse direito, bastando que objectivamente se excedam tais limites. II - Equipara-se ao abuso do direito a neutralização do mesmo, que se verifica quando o titular de um direito deixa passar longo tempo sem o exercer, justificando esta inércia ( ou uma particular conduta do referido titular, ou certas circunstâncias ) que a contraparte, convencida de que o direito já não será exercido, oriente a sua vida movida pela confiança nessa convicção, daí resultando que o exercício tardío e inesperado do direito possa acarretar-lhe desvantagem maior do que a do seu exercício tempestivo. III - Segundo este critério, deve considerar-se neutralizado o direito do senhorio pedir o despejo fundado na falta de residência do inquilino no locado quando este, como era do conhecimento daquele, nunca aí residiu embora fosse fim contratual, a par do exercício do comércio, vindo o despejo a ser pedido decorridos 22 anos de utilização do locado só para o fim comercial, tendo entretanto o inquilino, por se convencer de que nunca haveria despejo por falta de habitação, feito obras no locado, de certa envergadura, pelas quais, segundo o contrato do arrendamento, nunca poderia ser indemnizado. | ||
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