Acórdão do Tribunal da Relação do Porto
Processo:
0225059
Nº Convencional: JTRP00010489
Relator: HERNANI ESTEVES
Descritores: CONTINUAÇÃO CRIMINOSA
PRESCRIÇÃO DO PROCEDIMENTO CRIMINAL
TERMO
PRAZO
SUSPENSÃO DA PRESCRIÇÃO
ACUSAÇÃO
PRONÚNCIA
USURA
HABITUALIDADE
TAXA DE JURO
CLÁUSULA PENAL
Nº do Documento: RP199011280225059
Data do Acordão: 11/28/1990
Votação: UNANIMIDADE
Tribunal Recorrido: T J VALE CAMBRA
Texto Integral: N
Privacidade: 1
Meio Processual: REC PENAL.
Decisão: PROVIDO PARCIALMENTE.
Área Temática: DIR CRIM - CRIM C/PATRIMÓNIO.
Legislação Nacional: CP82 ART118 N2 B ART120 N1 C ART320 N1 N2 N4.
CP86 ART125 PAR4 N1.
DL 21740 DE 1932/10/14 ART6.
Sumário: I - Tratando-se de crimes continuados, nos termos do artigo 118, n. 2, alínea b) do Código Penal, o prazo de prescrição do procedimento criminal corre desde o dia da prática do último acto criminoso, como já era entendido no Código Penal de 1886;
II - Verificando-se a prática de crimes continuados de usura e extorsão, tal prazo é de cinco anos, seja face ao actual Código, seja face ao Código Penal de 1886;
III - Neste, a acusação suspendia o prazo prescricional
- artigo 125, parágrafo 4, n. 1, naquele a precrição interrompe-se com a notificação do despacho de pronúncia - artigo 120, n. 1, alínea c);
IV - Constatando-se que, quer de acordo com o Código Penal de 1986, quer com o actual, não ocorreu tal prazo, porque suspenso por aquele diploma e interrompido por este, não é de declarar a eventual prescrição do procedimento criminal;
V - Não se provando, no crime de usura, a habitualidade, a acção do agente não é subsumível ao n. 4 do artigo 320 do Código Penal, mas antes ao n. 2 que corresponde ao direito anterior, abrangendo os casos previstos no Decreto-Lei n. 21730, de 14/10/32, limitando-se a usura à taxa de juro e às cláusulas penais como meios relevantes para a prática de tal crime.
Reclamações: