Acórdão do Tribunal da Relação do Porto
Processo:
9820316
Nº Convencional: JTRP00024334
Relator: NORMAN DE MASCARENHAS
Descritores: PRÉDIO RÚSTICO
ARRENDATÁRIO
BENFEITORIAS ÚTEIS
CRÉDITO
ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA
DIREITO DE RETENÇÃO
CONDENAÇÃO EM QUANTIA A LIQUIDAR EM EXECUÇÃO DE SENTENÇA
Nº do Documento: RP199810139820316
Data do Acordão: 10/13/1998
Votação: UNANIMIDADE
Tribunal Recorrido: T CIV PORTO 5J
Processo no Tribunal Recorrido: 401/95-2
Data Dec. Recorrida: 10/28/1997
Texto Integral: N
Privacidade: 1
Meio Processual: APELAÇÃO.
Decisão: REVOGADA PARCIALMENTE.
Área Temática: DIR CIV - TEORIA GERAL / DIR OBG / DIR CONTRAT.
DIR PROC CIV.
Legislação Nacional: CCIV66 ART216 N1 N3 ART483 ART754 ART757 N2 ART479 N1 N3 ART1273 ART1046 N1.
CPC67 ART661 N2.
Jurisprudência Nacional: AC STJ DE 1982/10/07 IN BMJ N320 PAG407.
AC STJ DE 1978/01/24 IN BMJ N273 PAG244.
AC STJ DE 1980/03/06 IN BMJ N295 PAG369.
AC STJ DE 1974/06/04 IN BMJ N238 PAG204.
AC STJ DE 1983/12/16 IN BMJ N332 PAG397.
AC RP DE 1992/10/01 IN BMJ N420 PAG671.
AC RC DE 1980/07/01 IN BMJ N301 PAG469.
Sumário: I - Consideram-se benfeitorias todas as despesas feitas para conservar ou melhorar a coisa, dizendo-se
" úteis " as benfeitorias que, não sendo indispensáveis para a sua conservação, lhe aumentam, todavia o valor.
II - O arrendatário de prédio rústico, que nele realizou obras que lhe aumentaram o seu valor, é titular de um crédito a ser determinado pelo instituto do enriquecimento sem causa, gozando do direito de retenção.
III - O direito de retenção consiste na faculdade de uma pessoa reter ou não restituir uma coisa alheia que possui ou detém até ser paga do que lhe é devido, por causa dessa coisa, pelo respectivo proprietário.
IV - O direito de retenção por crédito de benfeitorias não depende da liquidez do crédito do respectivo titular.
V - O direito de retenção é tido como uma causa de licitude e exclui qualquer dever indemnizatório pela não entrega do prédio.
VI - No enriquecimento sem causa, reportado a benfeitorias indemnizáveis, é necessário alegar e provar: a) O custo das obras e a data do pagamento; b) O preço actual do prédio sem as obras; e c) O preço actual do prédio com as obras.
VII - Tendo sido alegado apenas o valor actual das obras realizadas, pedindo-se a condenação do dono do prédio a indemnizar pelas benfeitorias realizadas, a condenação tem que ser naquilo que for liquidado em execução de sentença.
VIII - Tem-se entendido que o proprietário só terá de restituir, em virtude de benfeitorias realizadas no prédio, até ao montante do enriquecimento ou do empobrecimento, conforme o que for menos avultado.
Reclamações: