Acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa
Processo:
0045431
Nº Convencional: JTRL00013203
Relator: ZEFERINO FARIA
Descritores: JUNÇÃO DE DOCUMENTO
ÓNUS DA ALEGAÇÃO
DECLARAÇÃO NEGOCIAL
DECLARAÇÃO RECEPTÍCIA
EFICÁCIA
CONTRATO-PROMESSA DE COMPRA E VENDA
FORMALIDADES ESSENCIAIS
ASSINATURA
RECONHECIMENTO NOTARIAL
NULIDADE
INTERPELAÇÃO
MORA DO DEVEDOR
ARTICULADOS
INCUMPRIMENTO
Nº do Documento: RL199107090045431
Data do Acordão: 07/09/1991
Votação: UNANIMIDADE
Texto Integral: N
Privacidade: 1
Meio Processual: APELAÇÃO.
Decisão: ALTERADA A SENTENÇA.
Indicações Eventuais: M DE ANDRADE NOÇÕES ELEMENTARES 1956 PAG139. A VARELA DAS OBRIGAÇÕES 2ED V2 PAG113. GALVÃO SILVA SINAL E CONTRATO-PROMESSA 1988 PAG155.
Área Temática: DIR CIV - TEORIA GERAL / DIR CONTRAT.
DIR PROC CIV.
Legislação Nacional: CCIV66 ART224 ART442 ART808.
DL 236/80 DE 1980/07/18.
Jurisprudência Nacional: AC RP DE 1983/10/18 IN CJ T4 PAG260.
Sumário: I - Na lição de Manuel de Andrade (noções elementares, ed.
1956, pg. 139) as partes podem articular pela simples junção de documentos.
II - Este Autor refere-se apenas á contestação, mas tal procedimento não pode deixar de valer, por uma questão do princípio da igualidade, á petição inicial, na parte narrativa, pelo menos.
III - O contrato promessa não se extingue, sem mais, findo o prazo final. Com efeito, nas obrigações, embora com prazo certo, em que é exigível certa actividade do credor para obter a prestação, é necessário, para que haja mora, mesmo depois de atingido o prazo certo que as partes estipularam, que o credor leve a cabo essa actividade, o que não aconteceu pois que não designou dia para a celebração de escritura, interpelando a promitente vendedora (A. Varela, das obrigações..., 2 ed., II, p. 113).
IV - A formalidade do reconhecimento presencial das assinaturas dos promitentes vendedor e comprador é produzida no interesse deste último e a respectiva omissão não pode ser invocada por terceiro interessado, nomeadamente por credor hipotecário cujo direito tenha por objecto a fracção prometida venderR.L.,
20.12.88, cj 1988, v p. 130) e não pode ser conhecida ofociosamente pelo tribunal.
V - Consoante se dispõe no artigo. 224, C. Civil, a declaração negocial que tem um destinatário torna-se eficaz logo que chega ao seu poder ou é dele conhecida, mas é também considerada eficaz a declaração que só por culpa do destinatário não foi por ele oportunamente recebida.
VI - Se o autor enviou à ré a referida carta, devidamente registada, para a sua sede, constante do contrato promessa e das diversas cartas timbradas juntas aos autos, entende-se que a carta foi recebida pela ré.
VII - A mora converte-se em incumprimento definitivo se se justifica objectivamente a perda do interesse do autor na prestação, como é o caso de o contrato prometido dever ser celebrado até 31 outubro 84, a ré referir em 19 fevereiro 84 que não lhe é possível outorgar as escrituras, libertando os andares de todos os ónus, e os promitentes compradores não aceitarem um pequeno acréscimo do preço acordado, sendo a importância adicional indispensável.
VIII - Nos termos do artigo 442, C. Civil (redacção do Dec- -Lei 236/80, de 18 de julho) e segundo a melhor doutrina (Galvão da silva, "Sinal e Contrato-Promessa",
1988, p. 155), no caso de incumprimento do contrato por parte do promitente que recebeu o sinal e desde que tenha havido tradição da coisa, tem o outro contraente, autor cessionário, direito á diferença do valor da coisa na data do incumprimento e o valor da coisa na data do contrato, acrescido da restituição do sinal entregue e dos juros respectivos.
IX - E nos termos do n. 3 do cit. artigo 442, no caso de ter havido tradição da coisa objecto do contrato promessa, o promitente comprador goza do direito de retenção sobre ela, pelo crédito resultante do incumprimento pelo promitente vendedor.