Acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa | |||
| Processo: |
| ||
| Nº Convencional: | JTRL00005653 | ||
| Relator: | LEONARDO DIAS | ||
| Descritores: | PRISÃO PREVENTIVA TRÁFICO DE ESTUPEFACIENTE TRÁFICO DE DROGA | ||
| Nº do Documento: | RL199303100299573 | ||
| Data do Acordão: | 03/10/1993 | ||
| Votação: | UNANIMIDADE | ||
| Texto Integral: | N | ||
| Privacidade: | 1 | ||
| Meio Processual: | REC PENAL. | ||
| Decisão: | NEGADO PROVIMENTO. | ||
| Área Temática: | DIR PROC PENAL. DIR CRIM. | ||
| Legislação Nacional: | CONST76 ART28 N2 ART32 N2. CPP87 ART191 N1 ART193 ART196 ART202 N1 N2 A B ART204 ART209 N2 A E ART212 N1 B N3. L 43/86 DE 1986/09/26 ART2 N38. DL 430/83 DE 1983/12/13 ART23 N1. CP82 ART260. | ||
| Sumário: | I - Se não se verificarem os requisitos especiais dos artigos 202, n. 1, al. a) e b), e os gerais do artigo 204, al. a) ou b)ou c), do Código de Processo Penal (CPP), a prisão preventiva nunca pode ser decretada; na generalidade dos casos, o juiz tem que fundamentar a sua aplicação na verificação dos aludidos requisitos dos artigos 202 e 204 e, também, na inadequação ou insuficiência das restantes medidas; nas hipóteses do artigo 209 CPP, basta fundamentá-la no facto de o crime ser um dos contemplados por esse dispositivo e na verificação dos requisitos fixados nos artigos 202 e 204 CPP, e, se estes se verificarem e, não obstante, não aplica a prisão preventiva, há-de indicar os motivos por que a considera desnecessária, e, suficiente e adequada a medida de coacção que, em sua vez, decide aplicar. II - As decisões judiciais que aplicam medidas de coacção transitam em julgado, mas compreende-se que, face a prováveis modificações das circunstâncias que as determinam e ao princípio constitucional da presunção de inocência do arguido, neste domínio, a eficácia do caso julgado se faça depender da rigorosa manutenção dos pressupostos da respectiva decisão, isto é, rebus sic stantibus. III - Aqui, os arguidos foram detidos (foi-lhes apreendida heroína e uma balança de pesagem da droga), por se considerar indiciada a prática, por ambos, de um crime descrito no artigo 23, n. 1, Decreto-Lei n. 430/83, de 13.12; e à recorrente ainda se imputa outro crime descrito no artigo 260 do Código Penal. IV - Foram ambos os arguidos presos preventivamente, passando em julgado a decisão atinente; não se modificaram os pressupostos que determinaram a cominação de tal medida coactiva, pois não foi alegada qualquer factualidade que traduzisse substancial alteração dos fundamentos da decisão, pelo que não há que substituir a prisão preventiva por outra medida de coacção, ao abrigo do artigo 212 CPP. | ||