Acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa | |||
| Processo: |
| ||
| Nº Convencional: | JTRL00020356 | ||
| Relator: | MESQUITA E MOTA | ||
| Descritores: | CONTRATO-PROMESSA DE COMPRA E VENDA FIXAÇÃO DE PRAZO CUMPRIMENTO DO CONTRATO CLÁUSULA ACESSÓRIA CLÁUSULA CUM VALUERIT CONTRATO INTERPRETAÇÃO | ||
| Nº do Documento: | RL199102210022466 | ||
| Data do Acordão: | 02/21/1991 | ||
| Votação: | UNANIMIDADE | ||
| Referência de Publicação: | CJ ANOXVI 1991 T1 PAG159 | ||
| Texto Integral: | N | ||
| Privacidade: | 1 | ||
| Meio Processual: | APELAÇÃO. | ||
| Decisão: | CONFIRMADA A DECISÃO. | ||
| Indicações Eventuais: | GALVÃO TELES IN DIREITO DAS OBRIGAÇÕES 4ED PAG179. | ||
| Área Temática: | DIR CIV - DIR CONTRAT. | ||
| Legislação Nacional: | CCIV66 ART227 ART236 ART237 ART238 ART762 ART777 N1 N2 ART778 N2 N1. | ||
| Sumário: | O vocábulo "herdeiro" referido no art. 778 do CC está empregue no sentido técnico, isto é, como o alcance que lhe é dado no art. 2030 do CC, e é portanto insusceptível de ser aplicado às pessoas colectivas, que por natureza não têm herdeiros. Na interpretação dos contratos deve atender-se, nos termos do n. 1 do art. 236 do CC, ao sentido que à declaração negocial dê um declaratário normal, colocado na posição do real declaratário. Estabelecendo-se num contrato promessa de compra e venda de imóvel que a escritura definitiva deverá ser celebrada logo que a sociedade promitente vendedora o comunique ao promitente comprador, e havendo já sinal pago de 50% do preço acordado, com possibilidade de reforço substancial, não pode pretender-se ver ai uma cláusula "cum valuerit", por não ser esse o sentido que lhe daria um declaratário normal e tal ser atentatório dos princípios da boa-fé e do equilibrio das prestações. O promitente comprador, na falta de acordo na fixação do prazo para o cumprimento, pode recorrer ao tribunal para o efeito, nos termos do art. 777 n. 2 do CC. | ||