Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça | |||
| Processo: |
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| Nº Convencional: | JSTJ00033535 | ||
| Relator: | SOUSA INES | ||
| Descritores: | AQUISIÇÃO DE NACIONALIDADE OPOSIÇÃO À AQUISIÇÃO DE NACIONALIDADE ACÇÃO ESPECIAL ÓNUS DA PROVA MODIFICABILIDADE DA DECISÃO DE FACTO | ||
| Nº do Documento: | SJ199806250004562 | ||
| Data do Acordão: | 06/25/1998 | ||
| Votação: | UNANIMIDADE | ||
| Tribunal Recurso: | T REL LISBOA | ||
| Processo no Tribunal Recurso: | 4929/27 | ||
| Data: | 01/15/1998 | ||
| Texto Integral: | N | ||
| Privacidade: | 1 | ||
| Meio Processual: | APELAÇÃO. | ||
| Decisão: | CONFIRMADA A DECISÃO. | ||
| Área Temática: | DIR NACION. | ||
| Legislação Nacional: | |||
| Jurisprudência Nacional: | |||
| Sumário : | I - Funcionando a Relação como primeira instância, e sendo o presente recurso de apelação, nos termos do artigo 26, n. 1, do DL 322/82, de 12 de Agosto, há que assegurar a possibilidade de um grau de recurso também quanto à matéria de facto. II - Desta sorte, é aplicável ao julgamento do recurso, neste processo especial de oposição à aquisição de nacionalidade portuguesa, o disposto no artigo 712 do CPC, que regula a modificabilidade da matéria de facto adquirida pelo tribunal recorrido. III - De harmonia com o disposto no artigo 9, alínea a), da Lei 37/81, de 3 de Outubro - na redacção da Lei 25/94, de 19 de Agosto -, constitui fundamento de oposição à aquisição da nacionalidade portuguesa, a não comprovação, pelo interessado, de ligação efectiva à comunidade nacional. IV - Embora o referido preceito se apresente como fundamento de oposição à aquisição da nacionalidade portuguesa, ele tem, na realidade, a matéria de requisito geral de aquisição da nacionalidade, seja por efeito da vontade, seja pela adopção, seja por naturalização. V - Consequentemente, recai sobre o requerente da aquisição da nacionalidade os ónus de alegar e de provar a ligação efectiva à comunidade nacional (artigos 342, n. 1, e 343, n. 1, do CC), e sobre o Ministério Público, autor na acção de oposição, o ónus de alegar factos impeditivos ou que contrariem a ligação à comunidade nacional (artigo 342, n. 2, do CC) VI - A ligação à comunidade nacional tem que ser efectiva, o que significa que se deve apresentar com carácter de permanência no tempo, de estabilidade, e, por outro lado, que se deve revelar mediante condutas concretas. VII - A ligação que se exige é à comunidade nacional, e não ao território português, podendo, por isso, essa ligação acontecer com uma das várias comunidades portuguesas que existem no estrangeiro, nomeadamente enquanto constituídas por gerações de emigrantes. | ||