Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça | |||
| Processo: |
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| Nº Convencional: | JSTJ00021521 | ||
| Relator: | GUERRA PIRES | ||
| Descritores: | EXPULSÃO DE ESTRANGEIRO TRÁFICO DE ESTUPEFACIENTE PENAS ACESSÓRIAS CONSTITUCIONALIDADE | ||
| Nº do Documento: | SJ199311180440413 | ||
| Data do Acordão: | 11/18/1993 | ||
| Votação: | UNANIMIDADE | ||
| Tribunal Recurso: | T J ALMADA | ||
| Processo no Tribunal Recurso: | 09184/92 | ||
| Data: | 12/16/1992 | ||
| Texto Integral: | N | ||
| Privacidade: | 1 | ||
| Meio Processual: | REC PENAL. | ||
| Decisão: | PROVIDO. | ||
| Área Temática: | DIR CRIM - TEORIA GERAL. | ||
| Legislação Nacional: | |||
| Sumário : | I - A aplicação automática da pena acessória de expulsão do território nacional infligida nos termos do artigo 34 do DL 430/83, no caso de tráfico de estupefacientes por estrangeiros violaria a norma do artigo 30 n. 4 da Constituição, que para garantia prática de aplicação foi vertida no artigo 65 do Código Penal de 1982, de que nenhuma pena envolve, como efeito necessário, a perda de direitos civis, profissionais ou políticos, pelo que esse normativo deve ser interpretado restritivamente. II - Um puro automatismo constituiria mais do que o exercício de um poder vinculado, pois representaria no fundo uma arbitrariedade que nem o seguimento da "sorte" da pena principal justificaria e ignoraria uma necessidade social de retribuição e o princípio da livre circulação das pessoas. III - Verificada a condição necessária que é a aplicação de uma pena principal, impõe-se ainda que o julgador comprove no facto um particular conteúdo de ilícito que justifique a aplicação da pena acessória em causa. IV - E é de notar que o legislador do DL 15/93, no seu artigo 34, substituiu a expressão "será ordenada na sentença a sua expulsão" do preceito correspondente do DL 430/83, esta outra: "o tribunal pode ordenar a sua expulsão do País". V - Embora se exclua a automaticidade desta pena, é tendencial a sua aplicabilidade nos crimes de tráfico de droga, dada a disseminação dos seus efeitos, profundamente nocivas. Haverá, assim, de verificar-se uma situação de culpa leve, um baixo grau de ilicitude e uma prognose de recuperação e de reinserção social para que a pena acessória não seja aplicada. | ||