Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça | |||
| Processo: |
| ||
| Nº Convencional: | JSTJ00026859 | ||
| Relator: | RAMIRO VIDIGAL | ||
| Descritores: | NULIDADE DO CONTRATO NEGÓCIO USURÁRIO ERRO SOBRE OS MOTIVOS DO NEGÓCIO VÍCIOS DO CONSENTIMENTO DOLO CULPA IN CONTRAHENDO ABUSO DE DIREITO | ||
| Nº do Documento: | SJ199503140861821 | ||
| Data do Acordão: | 03/14/1995 | ||
| Votação: | UNANIMIDADE | ||
| Referência de Publicação: | CJSTJ 1995 ANOIII TII PAG21 | ||
| Tribunal Recurso: | T REL PORTO | ||
| Processo no Tribunal Recurso: | 278/93 | ||
| Data: | 04/07/1994 | ||
| Texto Integral: | N | ||
| Privacidade: | 1 | ||
| Meio Processual: | REVISTA. | ||
| Decisão: | NEGADA A REVISTA. | ||
| Área Temática: | DIR CIV - TEORIA GERAL. | ||
| Legislação Nacional: | DL 183/70 DE 1970/04/28 ARTIGO 16 N1 ARTIGO 17 N1. CCIV66 ARTIGO 227 N1 ARTIGO 247 ARTIGO 251 ARTIGO 254 ARTIGO 280 ARTIGO 282 ARTIGO 283 ARTIGO 334 ARTIGO 473. | ||
| Sumário : | I - Uma vez que determinadas operações cambiárias foram autorizadas pelo Banco de Portugal não pode entender-se que os negócios jurídicos correspondentes estejam feridos de nulidade nos termos do artigo 280 do Código Civil. II - A situação de dependência justificativa da qualificação de um negócio como "usurário" deve traduzir-se numa situação psicológica, social ou económica de subordinação, de termos ou de respeito. A simples desproporção económica entre as partes, acompanhada da necessidade por parte de uma delas de socorrer-se da outra (um Banco), com o fim de alcançar fundos para o giro dos seus negócios, não é suficiente para caracterizar uma situação de subalternidade tal que a levasse a aceitar subservientemente qualquer contrato proposto pelo Banco, de modo a que este pudesse vir a ser qualificado de usurário. III - Também não pode dizer-se que uma sociedade tenha aceitado contratar por ter sido vítima de erro na declaração, de erro-vício ou de dolo, apenas porque o seu Banco financiador lhe referiu que poderia ser vantajosa a opção por uma moeda forte para efeito de poder beneficiar de uma taxa de juro mais reduzida. Efectivamente uma sociedade como a Ré, mergulhada no mundo económico e financeiro, não podia ignorar que o Banco não poderia garantir a estabilidade cambial. IV - Não pode também falar-se de culpa "in contrahendo" por parte do Banco desde que não ficou provado que a evolução concreta dos câmbios pudesse ser prevista inicialmente de modo a que o Banco desaconselhasse o negócio à sociedade-ré, que ele considerava boa cliente. V - O corte de crédito por parte de um Banco, só por si, não significa abuso de direito, uma vez que ele não tem a obrigação de conceder sistematicamente crédito aos seus clientes. | ||
| Decisão Texto Integral: |