Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça
Processo:
96S049
Nº Convencional: JSTJ00030027
Relator: ALMEIDA DEVEZA
Descritores: ACIDENTE DE TRABALHO
SEGURO
NULIDADE DO CONTRATO
SEGURO OBRIGATÓRIO
CONTRATO A FAVOR DE TERCEIRO
Nº do Documento: SJ199607030000494
Data do Acordão: 07/03/1996
Votação: UNANIMIDADE
Tribunal Recurso: T REL PORTO
Processo no Tribunal Recurso: 309/95
Data: 07/10/1995
Texto Integral: N
Privacidade: 1
Meio Processual: REVISTA.
Decisão: NEGADA A REVISTA.
Indicações Eventuais: CUNHA GONÇALVES IN COMENTÁRIO AO CÓDIGO COMERCIAL VOLI PÁG541.
Área Temática: DIR TRAB - ACID TRAB / REG COL TRAB. DIR CIV - TEORIA GERAL.
DIR PROC CIV - RECURSOS. DIR PROC TRAB. DIR COM.
Legislação Nacional:
Jurisprudência Nacional:
Sumário : I - O seguro obrigatório consubstancia um contrato a favor de terceiro, que se define nos termos do artigo 443, n. 1 do Código Civil.
II - Não obstante a forma porque o artigo 429 do Código Comercial está redigido possa levar a supôr que toda e qualquer declaração inexacta anula o seguro, para que a anulação se verifique é indispensável que tal inexactidão influa na existência e condições do contrato, de sorte que o segurador, ou não contrataria, ou teria contratado em diversas condições. As simples inexactidões anódinas não produzem a consequência jurídica de anular o contrato.
III - Não é o facto de o trabalhador não ter sido incluido nas folhas de férias que liberta, sem mais, a seguradora das obrigações resultantes do contrato de seguro.
IV - Se a não inclusão do trabalhador nas folhas de férias foi intencional e se o procedimento da co-ré entidade patronal foi de má fé e fraudulento, e com a finalidade de iludir cláusula contratual, tem de se concluir pela isenção da responsabilidade da co-ré seguradora.
V - Ora, se a entidade patronal faltou conscientemente à verdade, de modo fraudulento, tais factos são susceptíveis de influir sobre a existência e sobre as condições do seguro. Assim, não pode considerar-se válido o contrato de seguro.
VI - E, embora se esteja perante uma anulabilidade, se a seguradora invocou a nulidade do seguro, o acidente sofrido pelo sinistrado não é abrangido pelo seguro.