Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça | |||
| Processo: |
| ||
| Nº Convencional: | JSTJ00021155 | ||
| Relator: | FERNANDO FABIÃO | ||
| Descritores: | CONTRATO-PROMESSA DE COMPRA E VENDA PRAZO FIXAÇÃO DE PRAZO MORA INTERPELAÇÃO EXECUÇÃO ESPECÍFICA LITIGÂNCIA DE MÁ FÉ MÁ FÉ | ||
| Nº do Documento: | SJ199312160843541 | ||
| Data do Acordão: | 12/16/1993 | ||
| Votação: | UNANIMIDADE | ||
| Tribunal Recurso: | T REL COIMBRA | ||
| Processo no Tribunal Recurso: | 475/92 | ||
| Data: | 02/09/1993 | ||
| Texto Integral: | N | ||
| Privacidade: | 1 | ||
| Meio Processual: | REVISTA. | ||
| Decisão: | NEGADA A REVISTA. | ||
| Área Temática: | DIR CIV - DIR OBG / DIR CONTRAT. DIR PROC CIV. | ||
| Legislação Nacional: | |||
| Jurisprudência Nacional: | |||
| Sumário : | I - Tendo-se estipulado, num contrato-promessa, que o prazo para a celebração da escritura de compra e venda seria o fim de Maio de 1988 e que, se ela não fosse feita dentro do seu prazo, novo prazo seria então acordado entre os outorgantes, se transcorreu aquele fim de Maio sem a escritura ser celebrada e não se prova que novo prazo tivesse sido acordado, a obrigação de fazer a escritura prometida ficou sem prazo certo, passando a obrigação pura. II - Em princípio, o novo prazo teria de ser acordado pelos dois outorgantes, mas estes, por força do princípio da boa fé consagrada no artigo 762 n. 2 do Código Civil, tinham obrigação de concorrer para a fixação dele e só se algum deles não colaborasse é que o outro podia pedir a sua fixação judicial. III - Não provada a falta de colaboração de qualquer dos outorgantes, não se tornava necessário pedir ao tribunal a fixação do prazo. IV - Não havendo prazo, o devedor só fica constituído em mora depois de interpelado, mas a interpelação só é eficaz e suficiente quando se comunica à outra parte o dia, hora e local da celebração do contrato prometido. V - Não constitui interpelação eficaz o facto de um dos outorgantes no contrato-promessa ter pedido vários anos ao outro para celebrar a escritura. VI - Não obstante, o promitente vendedor fica constituído em mora se, tendo-se obrigado a libertar o prédio prometido vender de todos os ónus ou encargos até 30 de Abril de 1988, não o fez, pelo menos até 12 de Outubro de 1989, sem um tipo justificado, desde que o promitente comprador pela primeira vez, após aquela 1 data, lhe pediu para celebrar a escritura. VII - Após o Decreto-Lei n. 379/86, de 11 de Novembro, o direito à execução específica é imperativo nas promessas de alienação onerosa de prédios urbanos. VIII - A execução específica pressupõe o atraso na prestação, a simples mora - não o incumprimento definitivo. IX - A alteração da verdade não pode deixar de ser consciente quando se trate de factos pessoais, implicando, pois, a condenação por má fé no litígio. | ||