Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça
Processo:
084556
Nº Convencional: JSTJ00022266
Relator: MIGUEL MONTENEGRO
Descritores: CONTRATO
PROPOSTA DE CONTRATO
ACEITAÇÃO TÁCITA
FORMA DE DECLARAÇÃO NEGOCIAL
ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA
RESTITUIÇÃO DO SINAL
Nº do Documento: SJ199403080845561
Data do Acordão: 03/08/1994
Votação: UNANIMIDADE
Tribunal Recurso: T REL LISBOA
Processo no Tribunal Recurso: 6729/92
Data: 03/16/1993
Texto Integral: N
Privacidade: 1
Meio Processual: REVISTA.
Decisão: NEGADA A REVISTA.
Área Temática: DIR CIV - DIR CONTRAT.
Legislação Nacional:
Sumário : I - Tendo os autores proposto por escrito à Ré celebrar um negócio relativo a um estabelecimento comercial, entregar
à Ré pelas contrapartidas resultantes do negócio a quantia de 10300000 escudos, tendo feito entrega de um cheque titulando a quantia de 2575000 escudos o qual só deveria ser descontado no acto da escritura de trespasse, altura em que a restante quantia seria entregue
à Ré, e tendo esta escrito aos Autores que lhes entregavam a exploração do seu estabelecimento comercial pelo valor proposto pelos Autores mas que esta importância seria paga numa prestação de 25% nesse momento e o restante no dia da escritura e que os Autores deveriam pagar, a título de renda, a importância mensal de 75000 escudos pela exploração do estabelecimento, tendo os autores iniciado esta exploração no mês seguinte à contraproposta, não pode considerar-se como aceitação tácita pelos Autores da contraproposta da Ré o facto de aqueles terem iniciado a exploração do estabelecimento comercial porque tal facto pode ter fundamento em outros negócios jurídicos designadamente o projectado arrendamento do local onde o estabelecimento se insere.
II - Como o negócio definitivo daquele que havia sido projectado e proposto não se realizou através da competente escritura pública (artigo 223 do Código Civil) as coisas devem ser repostas no estado inicial, com a obrigação da Ré de restituir o que recebeu por conta do preço, ao descontar o cheque entregue pelos Autores, e de que está enriquecida, sem justo motivo à custa dos autores (artigo 473 do Código Civil).