Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça | |||
| Processo: |
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| Nº Convencional: | JSTJ00036181 | ||
| Relator: | SILVA GRAÇA | ||
| Descritores: | DECLARAÇÃO NEGOCIAL INTERPRETAÇÃO DA VONTADE MATÉRIA DE FACTO MATÉRIA DE DIREITO ARRENDAMENTO RURAL FORMA ESCRITA ABUSO DE DIREITO SANÇÃO | ||
| Nº do Documento: | SJ199903110011191 | ||
| Data do Acordão: | 03/11/1999 | ||
| Votação: | UNANIMIDADE | ||
| Tribunal Recurso: | T REL ÉVORA | ||
| Processo no Tribunal Recurso: | 582/97 | ||
| Data: | 04/23/1998 | ||
| Texto Integral: | N | ||
| Privacidade: | 1 | ||
| Meio Processual: | REVISTA. | ||
| Decisão: | NEGADA A REVISTA. | ||
| Indicações Eventuais: | JURISPRUDÊNCIA UNIFORME. | ||
| Área Temática: | DIR CIV - TEORIA GERAL / DIR CONTRAT. | ||
| Legislação Nacional: | |||
| Jurisprudência Nacional: | |||
| Sumário : | I - A interpretação das declarações negociais somente integra matéria de direito quando deva ser feita segundo os artigos 236 n. 1 e 238 CC, uma vez que então não se trata de fixar apenas factos, mas de aplicar um critério legal normativo devendo o STJ apreciar se esse critério foi correctamente entendido e aplicado pelas instâncias. II - Sendo legalmente proibido, salvo acordo escrito do senhorio, ao arrendatário rural subarrendar ou ceder por comodato, total ou parcialmente, os prédios arrendados ou ainda ceder a terceiros a sua posição contratual, de nada vale ao rendeiro alegar e provar que o senhorio disso tinha conhecimento, podendo este útlimo pedir a resolução do contrato. III - O CC adoptou uma concepção objectiva de abuso de direito, não sendo assim necessário a consciência de se estar a exceder, com o seu exercício, os limites impostos pela boa fé, pelos bons costumes ou pelo fim social ou económico do direito. IV - Cabe ao julgador definir, para o abuso de direito, em cada caso a sanção tida por mais adequada. V - Para se poder decretar a neutralização do direito é necessária a combinação das seguintes circunstâncias - - o titular de um direito deixar passar longo tempo sem o exercer; - com base neste decurso do tempo e com base ainda numa particular conduta desse titular ou noutras circunstâncias, a contraparte chegar à convicção justificada de que o direito já não será exercido; - movida por essa confiança, a contraparte ter orientado em conformidade a sua vida, tomado medidas ou adoptado programas de acção na base daquela confiança pelo que o exercício tardio e inesperado do direito em causa lhe acarretaria agora uma desvantagem maior que o seu exercício atempado. | ||