Tribunal Central Administrativo Sul - Contencioso Administrativo | |
| Contencioso: | Administrativo |
| Data: | 12/03/2010 |
| Processo: | 06951/10 |
| Nº Processo/TAF: | 00000/00/0 |
| Sub-Secção: | 2º. Juízo |
| Magistrado: | Mendes Cabral |
| Descritores: | IFAP, IP. RECUSA DE AJUDAS. APROVAÇÃO DE CANDIDATURAS. FALTA DE DOTAÇÃO ORÇAMENTAL. |
| Data do Acordão: | 04/07/2011 |
| Texto Integral: | Notificado nos autos supra indicados para esse efeito, o Ministério Público apresenta o seguinte parecer sobre o mérito do recurso: O presente recurso jurisdicional vem interposto da sentença proferida em 02.05.2010 pelo Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja, que julgou improcedente a acção administrativa especial interposta por Rui Passos Feio de Lemos Viana contra INGA - Instituto Nacional de Intervenção e Garantia Agrícola, e IFADAP - Instituto de Financiamento e Apoio ao Desenvolvimento da Agricultura e Pescas (organismos a quem, ex vi D.L. n.º 87/2007 de 29.03, sucedeu o Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas, IP), e ainda contra o Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas, visando designadamente a anulação do acto administrativo que lhe indeferiu os pedidos de ajudas formulados no âmbito das Medidas Agro-Ambientais para a campanha do ano de 2005. * Na minha perspectiva, o aresto recorrido não merece qualquer censura, dado haver feito correcta interpretação e aplicação da lei à factualidade pertinentemente fixada. É notório de resto, que nenhuma das conclusões da alegação do recorrente subsiste em confronto com a criteriosa argumentação expendida na decisão do TAF de Beja. Desde logo importará salientar que inegávelmente a M.ª Juiz “a quo” se debruçou sobre todas as questões pertinentes e colocadas pelas partes, sobre elas fazendo recair decisão devidamente alicerçada – carecendo pois de sentido a referência a pretensa nulidade por contradição entre os fundamentos e a decisão (C.P.Civil, artigo 668 n.º 1 alínea c)). De notar, por outro lado, que da mera apresentação das candidaturas (com as diligências a isso atinentes, como a elaboração de planos de exploração, análises de terras e organização de caderno de encargos) não decorrem quaisquer actos constitutivos de direitos, mormente o de ver a candidatura automáticamente aprovada e o apoio concedido (v. a este propósito, o teor do artigo 46 do Regulamento (CE) n.º 1257/1999 do Conselho, de 17 de Maio, e o do artigo 87 da Portaria n.º 1212/2003 de 16 de Outubro). E nesse tocante incumbirá notar que, ao invés do suposto pelo recorrente, a actividade fiscalizadora dos serviços competentes sobre os peticionantes (mormente destinadas a verificar as respectivas condições de elegibilidade) não representa qualquer implícita aprovação da candidatura e consequente concessão do apoio pretendido. Efectivamente, a vinculação da Administração apenas tem lugar na sequência de acto expresso de aprovação da candidatura, e prestação do apoio. Nem poderia ser de outro modo, visto achar-se em causa uma pretensão dirigida a um órgão administrativo para prática de um acto da sua competência: a referida aprovação de candidaturas. Por isso, e de acordo com o disposto no artigo 109 do CPA, o silêncio da Administração não faz presumir o deferimento tácito da pretensão apresentada, viabilizando tão só o recurso à acção judicial (nos termos do estabelecido nos artigos 66 e segs. do CPTA). Assim se concluirá ainda que, na ausência de acto de deferimento, não faz sentido a invocação de actos revogatórios ilegais. Na verdade, conforme acertadamente nota o aresto sob recurso, o acto administrativo oportunamente prolatado não enferma de quaisquer vícios, mostrando-se clara e congruente a fundamentação do indeferimento, com indicação das razões impeditivas da aprovação das candidaturas apresentadas em 2005 - entre elas avultando a falta de dotação orçamental. Assim, a decisão do TAF de Beja sobre a questão de fundo afigura-se irrepreensível, de modo algum procedendo os argumentos esgrimidos por Rui Viana nas suas alegações, conforme é salientado na contra-alegação do IFAP, IP - que se tem por exacta e por isso mesmo se subscreve. |