Pareceres/Diversos

Tribunal Central Administrativo Sul - Contencioso Administrativo
Contencioso:Administrativo
Data:02/12/2003
Processo:12105/03
Nº Processo/TAF:00000/00/0
Sub-Secção:2ª. Subsecção
Magistrado:Mendes Cabral
Descritores:CÁLCULO
PENSÃO DE REFORMA
RESERVA FORA DA EFECTIVIDADE DE SERVIÇO
Data do Acordão:04/10/2003
Disponível na JTCA:NÃO
Texto Integral:Vem o presente Recurso Jurisdicional interposto da sentença de 29.10.2002 proferida pelo Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa que considerou improcedente o recurso contencioso de anulação, oportunamente accionado por M .................. do despacho de 4.1.2001 da Direcção da Caixa Geral de Aposentações.
Tal despacho havia indeferido a pretensão de M ............ , no sentido de lhe ser contado, para efeitos de cálculo da respectiva pensão de reforma, o período de tempo de permanência na situação de reserva fora da efectividade de serviço com desconto de quotas para a C.G.A.

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Na minha perspectiva, a sentença recorrida não merece qualquer censura, dado haver feito correcta interpretação e aplicação da lei à factualidade que, com pertinência, vem fixada.

É notório, de resto, que nenhuma das conclusões exaradas pelo recorrente nas suas alegações subsiste em confronto com a judiciosa e pormenorizada argumentação que, em suporte de ilações inversas, é doutamente expendida na decisão em análise.

De facto, desde logo se deverá ter em conta o preceituado no artigo 28 n.º 2 do Estatuto da Aposentação, onde se lê : “o pagamento de quotas não confere, por si só, o direito à contagem do respectivo período de tempo”.

Por outro lado, e contráriamente ao defendido por M ............. , no EMFAR/90 não era referenciado o tempo de reserva fora da efectividade de serviço como factor relevante para calcular a pensão de reforma – sendo inequívoco, por outro lado, que do Estatuto da Aposentação resulta não relevar esse tempo para o referido efeito (v. o teor do artigo 117 deste diploma).

Assim, e no tocante ao EMFAR/90, é mister reconhecer que a intenção manifestada pelo legislador no preâmbulo desse diploma (“... da sua adopção não resultará para os militares atingidos qualquer prejuízo de natureza pecuniária”) acabou por não passar para o texto legal.

E tal “status quo” apenas através do Decreto-lei n.º 236/99 de 25 de Junho (que aprovou o novo Estatuto dos Militares das Forças Armadas), foi alterado. Efectivamente, estipula-se no artigo 44 n.º 3 deste diploma que, para efeito do cálculo da pensão de reforma, releva o tempo de permanência do militar na reserva fora da efectividade de serviço.

Tal norma apresenta, a meu ver, carácter inovador, uma vez que anteriormente, e em texto legal, inexistia comando similar ou paralelo (caso do EMFAR/90, como atrás se referiu); e, por outro lado, nem do preâmbulo nem do texto de lei resulta mínimamente que o preceito em causa revista natureza interpretativa .

Assim, o fulcro da questão consistirá em apurar-se se o referido preceito se aplica ou não apenas aos reformados em data posterior a 1 de Julho de 1999, ou seja, após a entrada em vigor do Decreto-lei n.º 236/99 de 26 de Junho.

Ora, na ausência de disposição expressa do EMFAR sobre o assunto, bem andou o M.º Juíz ao lançar mão do Estatuto da Aposentação e dos princípios gerais sobre a aplicação das leis no tempo.

Esclarece-se no Estatuto da Aposentação (artigo 43) que o regime de aposentação e reforma se fixa com base na lei em vigor e na situação existente na data do acto determinante da passagem à situação de aposentação ou reforma. No Código Civil, por seu turno, estabelece-se que a lei só dispõe para o futuro, salvaguardando-se as situações já constituídas (artigo 12).

Nestes termos, havendo o recorrente M ........... passado à situação de reforma em data anterior à da entrada em vigor do novo EMFAR, não lhe é aplicável, tendo em consideração o princípio da não retroactividade das leis, o disposto no artigo 44 n.º 3 do Decreto-lei n.º 236/99 de 26 de Junho.

Acrescentar-se-á ainda que da alteração operada ao novo EMFAR pela Lei 25/2000, de 23 de Agosto não resultam os efeitos pretendidos por M ..........,. pois o artigo 44 n.º 4 não se reporta a militares já aposentados.

Face ao exposto, emito o seguinte parecer :

Deve negar-se provimento ao recurso jurisdicional, assim se confirmando a douta sentença impugnada.