Acórdão do Tribunal Central Administrativo Sul | |
Processo: | 173/22.1BECTB |
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Secção: | CT |
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Data do Acordão: | 05/16/2024 |
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Relator: | SUSANA BARRETO |
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Descritores: | RECURSO HIERÁRQUICO TEMPESTIVIDADE |
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Sumário: | I - Nos termos do nº 2 do artigo 66º do Código de Procedimento e Processo Tributário (CPPT), os recursos hierárquicos são interpostos no prazo de trinta dias a contar da notificação do ato recorrido. II - Os prazos do procedimento tributário e de interposição da impugnação judicial, contam-se de modo contínuo e nos termos do artigo 279º do Código Civil (CC) – nº 1 do artigo 20º do CPPT. Assim, a contagem do prazo corre em dias seguidos e não se suspende durante as férias judiciais. III - Inserindo-se o recurso hierárquico nos procedimentos administrativos, o prazo de interposição não é um prazo judicial. IV - Não estamos, pois, perante um prazo para praticar um ato num processo judicial, não sendo, assim aplicável o disposto nos nº 5 e 6 do artigo 139º do CPC. |
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Recorrido 2: | Unanimidade |
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Indicações Eventuais: | Subsecção Tributária Comum |
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Aditamento: | ![]() |
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Decisão Texto Integral: | Acordam, em conferência, os juízes que constituem a Seção de Contencioso Tributário do Tribunal Central Administrativo Sul: I - Relatório E… Transformações de Carnes Lda., não se conformando com a sentença proferida pelo Tribunal Administrativo e Fiscal de Castelo Branco, que julgou procedente a exceção de caducidade do direito de ação e, em consequência, absolveu a Fazenda Pública da instância, dela veio recorrer para este Tribunal Central Administrativo Sul. Nas alegações de recurso apresentadas, a Recorrente, formulou as seguintes conclusões: A. «O presente Recurso, vem interposto, como consequência da douta sentença proferida nos autos acima referidos. B. Isto pois, a aqui Recorrente, não se conforma com a decisão proferida, em especial no que concerne à decisão de extemporaneidade do Recurso Hierárquico. C. Tal como resulta dos factos dados como provados, o Recurso Hierárquico foi apresentado contra o indeferimento da Reclamação Graciosa submetida a 22.08.2019, e que originou dois processos distintos, como supra aludido. D. Explicitando, a notificação de indeferimento do processo de Reclamação Graciosa ocorreu a 05.12.2019, assim sendo, o prazo para a apresentação do Recurso Hierárquico iniciou a 06.12.2019, terminando a 04.01.2020, no entanto, por corresponder a uma dia não útil, transferiu-se, o seu termino, para o dia útil seguinte, dia 06.01.2020. E. Pelo que, a interpretação da Fazenda Pública, e mais tarde, acompanhada pelo MMº Juiz, assenta na extemporaneidade do Recurso Hierárquico, uma vez que o mesmo foi enviado a 07.01.2020, ou seja, no dia seguinte ao termo do prazo (06.01.2020). F. No entanto, não nos podemos olvidar, que apesar de o Recurso Hierárquico ter sido apresentado fora de prazo, existe, no ordenamento jurídico uma válvula de escape presente no do art.º 139.º, n.º 5 do CPC, ex vi do art.º 20 do CPPT. G. Determina, o aludido preceito legal, que independentemente de justo impedimento, pode o ato ser praticado dentro dos três primeiros dias úteis subsequentes ao termo do prazo, ficando a sua validade pendente do pagamento imediato de uma multa, fixada em 10% da taxa de justiça correspondente ao processo ou ato, com o limite de máximo de ½ UC, se o ato for praticado no 1.º dia útil posterior ao termo do prazo, o que, in casu, sucedeu. H. Acrescentando, dispõe o n.º 6 da mesma disposição legal, que praticado o ato em qualquer dos três dias úteis seguintes sem ter sido paga, imediatamente, a multa devida, a secretaria deverá, independentemente de despacho, notificar o interessado para pagamento da multa, acrescida de uma penalização de 25% do valor da mesma, desde que se trate de ato praticado por mandatário. I. Desta feita, uma vez que o Recurso Hierárquico, in casu, foi apresentado no 1.º dia útil subsequente ao termo do prazo, sem que tenha sido efetuado o pagamento da multa correspondente, deveria a AT cumprir o seu dever, notificando o Autor para pagamento da multa, acrescida de uma penalização de 25% do seu valor. J. Pelo que, uma vez efetuado o pagamento de multa devida, o Recurso Hierárquico apresentado, pela aqui Recorrente, deverá ser admitido, porquanto tempestivo. K. Isto pois, prevê o ordenamento jurídico a aplicação, in casu, do art.º 139.º n.º 4 e n.º 5, do CPC. L. Sendo que, a sua não aplicação constituiria não só uma violação do mencionado preceito legal, como do art.º 20.º do CPPT, com consequências irreparáveis para os direitos de defesa do contribuinte. Termos em que, e nos melhores de direito aplicáveis que V/Ex.ª doutamente suprirá, deverá o presente recurso ser julgado procedente, requerendo-se a V/Ex.ª o seguinte; a) Se considere tempestiva a apresentação do Recurso Hierárquico que originou a sentença ora recorrida, uma vez que, se vislumbra como uma consequência da aplicação, que se deveria ter verificado, in casu, do art.º 139.º n.º 4, e n.º 5, ex vi, art.º 20.º do CPPT. Assim se fazendo a costumada JUSTIÇA!» Nas contra-alegações apresentadas a Recorrida formula as seguintes conclusões: 1. «A aplicação das normas do art. 139.º, n.ºs 5 e 6 do CPC ao procedimento tributário, no qual se integra o Recurso Hierárquico n.º 0680202010000016, não resultam do art. 20.º do CPPT ou de qualquer outro preceito legal; 2. Dão-se aqui por integralmente reproduzidas as razões e fundamentos constantes da douta sentença recorrida na aplicação do direito à matéria de facto dada como provada, e que não merece censura alguma; 3. Pelo que é entendimento desta Representação que a douta sentença proferida no processo n.º 173/22.1BECTB do Tribunal Administrativo e Fiscal de Castelo Branco deve ser mantida na íntegra. 4. Julgando improcedente o Recurso e mantendo na íntegra a decisão recorrida farão V. Ex.ªs a costumada JUSTIÇA. O recurso foi admitido com subida imediata nos próprios autos e efeito meramente devolutivo. Os autos foram com vista ao Ministério Público emitiu parecer no sentido da improcedência do recurso. Colhidos os vistos legais, cumpre decidir. II – Fundamentação Cumpre apreciar e decidir as questões colocadas pelo Recorrente, as quais são delimitadas pelas conclusões das respetivas alegações, que fixam o objeto do recurso, não podendo este Tribunal conhecer de matérias nelas não incluídas, a não ser que sejam de conhecimento oficioso, conforme previsto nos artigos 635/4 e 639/1.2 do Código de Processo Civil (CPC), sendo as de saber se o Tribunal a quo incorreu em erro de julgamento no que concerne à decisão de extemporaneidade do recurso hierárquico apresentado. II.1- Dos Factos O Tribunal recorrido considerou como provada a seguinte factualidade: 1. No dia 22-08-2019, a Autora apresentou Reclamação Graciosa. 2. A reclamação graciosa originou dois procedimentos administrativos distintos: a reclamação graciosa n.º 0680201904000129, referente à liquidação adicional de IRCde2014, e a reclamação graciosa n.º 0680201904000137, referente à liquidação de retenções na fonte de IRS. 3. No dia 29-11-2019, a reclamação graciosa n.º 0680201904000129, referente à liquidação adicional de IRC de 2014, foi indeferida por despacho da Chefe de Divisão da DF de Castelo Branco. 4. A Autora foi notificada, na pessoa da sua mandatária, do despacho de indeferimento da RG n.º 0680201904000129 através de oficio n.º 2909, de 02-12-2019, remetido por carta registada objeto de registo de aceitação de correspondência pelos CTT com o n.º RF028459366PT na mesma data – cfr. fls. 419 e 420 do processo instrutor. 5. No dia 16-12-2019, a reclamação graciosa n.º 0680201904000137, referente à liquidação de retenções na fonte de IRS, foi indeferida por despacho da Chefe de Divisão da DF de Castelo Branco. 6. A Autora foi notificada, na pessoa da sua mandatária, do despacho de indeferimento da RG n.º 0680201904000137 através de oficio n.º 3025, de 17-12-2019, objeto de registo de aceitação de correspondência pelos CTT com o n.º RF028459919PT na mesma data. 7. No dia 07-01-2020, através de email, a Autora enviou para a DF de Castelo Branco dois pedidos de Recurso Hierárquico, identificando um deles o Proc. de Reclamação Graciosa n.º 0680201904000129, e o outro o Proc. de Reclamação Graciosa n.º 0680201904000137, tendo os originais sido posteriormente remetidos através dos CTT. 8. Cada um dos pedidos referidos no parágrafo anterior originaram distintos procedimentos de recurso hierárquico, tendo o pedido em que identificou o Proc. de Reclamação Graciosa n.º 0680201904000129 (liquidação de IRC) estado na origem do Proc. de Recurso Hierárquico n.º 0680202010000016, e o pedido que identificou o Proc. de Reclamação Graciosa n.º 0680201904000137 (liquidação de IRS – retenções na fonte) estado na origem do Proc. de Recurso Hierárquico n.º 0680202010000028. 9. Por ofício de 24-06-2020 da Direção de Serviços de IRS, enviado em 25-06-2020, através do Via CTT, para a caixa postal eletrónica da impugnante, foi esta notificada do indeferimento do Proc. de Recurso Hierárquico n.º 0680202010000028 (fls. 570 a 577 do PA e doc.1 anexo à contestação). 10. Pelo ofício da Direção de Serviços de IRC n.º 1666, de 29-03-2022 (registo RF59583052 5PT , de 30-03-2022), a mandatária referida no parágrafo anterior foi notificada do despacho de rejeição liminar do Proc. de Recurso Hierárquico n.º 0680202010000016, com fundamento em intempestividade (com conhecimento à ora impugnante –ofício n.º 1667 de 29 -03 -2022 –carta simples ) –fls . 524 a 530 do PA. 11. No dia 28-03-2022, a Autora foi notificada do despacho que rejeitou liminarmente, por intempestividade, o recurso hierárquico apresentado. 12. A petição inicial da presente impugnação foi apresentada no dia 30.06.2022 – cfr. a assinatura aposta no formulário de apresentação da petição inicial.
Susana Barreto Ana Cristina Gomes de Carvalho Maria da Luz de Jesus Cardoso |