Centro de Documentação da PJ
Analítico de Periódico

CD 353
O papel do médico dentista no diagnóstico e sinalização do abuso de crianças
O papel do médico dentista no diagnóstico e sinalização do abuso de crianças [Recurso eletrónico] / Manuela Crespo ..[et al.]
Acta Médica Portuguesa, Lisboa, Vol. 24, suplemento 4 (2011), p. 939-948
Ficheiro de 268 KB em formato PDF.


ODONTOLOGIA FORENSE, PROFISSIONAL DE SAÚDE, MAUS TRATOS CONTRA CRIANÇAS, VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS

O abuso de crianças constitui um problema frequente em todo o mundo que ultrapassa etnias, religiões, culturas, classes económicas e sociais. Nos Estados Unidos da América os serviços de protecção infantis contabilizam, por ano, mais de um milhão de casos de abuso ou negligência. Em Portugal, não se conhece a real incidência do problema, mas em cada ano são acompanhadas nas Comissões de Protecção de Crianças e Jovens em Risco, milhares de crianças abusadas. Este abuso atenta contra o desenvolvimento físico, emocional e intelectual da criança, bem como contra a sua dignidade, segurança, bem-estar e, até, contra a sua própria vida. No caso do abuso físico, as regiões mais frequentemente atingidas são o crânio, a orofacial e o pescoço, admitindo-se que cerca de 50% das lesões abusivas sejam orofaciais. Assim, o médico dentista assume aqui uma posição privilegiada no que concerne à detecção, diagnóstico e sinalização/denúncia do abuso infantil. Por isso, estes profissionais devem intervir perante a suspeita ou detecção destes casos, estando preparados para os reconhecer, diagnosticar e sinalizar/denunciar junto das entidades competentes, as quais desempenham um papel fundamental na protecção da vítima e na investigação criminal. O presente trabalho pretendeu salientar a importância do papel do médico dentista na suspeita, detecção, diagnóstico e sinalização do abuso de crianças, sistematizando os factores de risco e indicadores de abuso fundamentais na perspectiva da intervenção destes profissionais. A formação e aquisição de competências nesta problemática, cuja intervenção é multidisciplinar, torna-se, assim, uma obrigação do médico dentista.