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COSTA, Nuno Félix da A perturbação da vivência do tempo na toxicodependência e na depressão / Nuno Félix da Costa Toxicodependências, Lisboa, A.1.n.2 (Junho 1995), p.50-61 TOXICODEPENDÊNCIA, DEPRESSÃO Um modelo motivacional para as toxicodependências é susceptível de integrar factores desde um nível psicofarmacológico e neuroquímico até ao nível sócio-cultural. As toxicodependências centram as pessoas em ciclos de consumo cada vez mais absorventes o que relega as outras motivações para uma distante periferia e determina complicações sociais e profissionais. Proporcionalmente ao valor de incentivo das drogas foi imposta uma ordem de funcionamento psicológico centrado sobre o prazer imediato. Enquanto a perturbação da vivência do tempo na depressão é mediada pelo humor depressivo nas toxicodepências resulta directamente do efeito da droga sobre as estruturas límbicas e aparece como uma perturbação primária. A perda da antecipação nas toxicodependências gera um esvaziamento existencial em muitos aspectos semelhante a um quadro depressivo e, contudo, fenomenologicamente bastante distinto. O tempo é uma dimensão crítica na compreensão do toxicodependente quer pela repercussão sobre a personalidade dos ciclos farmacocinéticos quer pelo modo perturbado como o tempo é experimentado. As implicações clínicas, farmacológicas e psicoterapêuticas são discutidas. |