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VALLEUR, M. Une addiction exemplaire : le jeu pathologique / M. Valleur, C. Bucher Toxicodependências, Lisboa, A.3,n.1 (Mar. 1997), p.59-71 JOGO PATOLÓGICO, TOXICODEPENDÊNCIA Numa grande parte da literatura científica internacional, o jogo patológico é considerado como uma entidade recente, instituída como tal pelo DSM-III em 1980. Esta novidade afirmada deve ser o primeiro motivo de espanto para o investigador, no que diz respeito a uma problemática individualizada desde a antiguidade. O estudo de diferentes dimensões do fenómeno (epidemiologia, história, sociologia, antropologia, estudos clínicos e propostas terapêuticas, etc...), mostra que as discussões a seu respeito se podem aplicar ao conjunto das toxicomanias. Estas, no seu conjunto, só podem ser abordadas através de modelos complexos, tendo em conta as dimensões biológicas, pessoais, sócio-culturais... Os autores propõem aqui um modelo das toxicomanias baseado nas noções de dependência e de comportamento ordálico, o qual se aplica em especial à compreensão do jogo compulsivo, excessivo, dostoievskiano, ou jogo patológico. Por estar assim situado no centro de um continuum das próprias toxicomanias, da mais 'banal' como o tabagismo; à mais ordálica, como a dependência actual das drogas ilícitas, o jogo explica as diferentes dimensões destes comportamentos: dependência, abandono de si, desubjectivação por um lado, desafio, experiência, busca de sentido, por outro. Ao lugar ambíguo do jogo na sociedade corresponde a complexidade, o paradoxo aparente de um comportamento ao mesmo tempo rotineiro e trangressivo. |