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PP321
Analítico de Periódico



GOMES, Conceição

Crime e punição : o caso das penas de prisão de curta duração / Conceição Gomes, Paula Fernando
Ousar Integrar - Revista de Reinserção Social e Prova, Lisboa, A. 4, nº.8 (janeiro 2011), p.27-37


DIREITO PENAL, POLÍTICA CRIMINAL, REFORMA PENAL, CRIMINALIDADE, ILICITO, MEDIDAS ALTERNATIVAS, PREVENÇÃO CRIMINAL, PENAS, PRINCÍPIO DA IGUALDADE, ESTATISTICAS, PORTUGAL

As políticas de prevenção e de combate ao crime tendem a evidenciar dois sub-sistemas processuais penais distintos: um sub-sistema contraditório, adversarial e formal para o processamento da criminalidade mais grave; e um sub-sistema que se pretende mais expedito dirigido a uma criminalidade menos grave, mas quantitativamente muito mais expressiva, que privilegia a proximidade entre a prática do acto ilícito e a respectiva punição como factor essencial para alcançar as finalidades de prevenção geral e especial das sanções penais, e que, nalguns casos, pontua o sistema com notas de consensualidade, tendo como objectivo último a pacificação social. A discussão em torno das políticas e medidas sancionatórias tem reafirmado a importância das medidas alternativas à prisão e o recurso muito excepcional às penas de prisão de curta duração. Apesar das reformas penais em Portugal evidenciarem esses princípios, os indicadores estatísticos revelam que se mantém elevado o número de condenados que entram nos estabelecimentos prisionais para o cumprimento de uma pena inferior a um ano, uma parte significativa por não ter condições económicas que lhes permita pagar a multa a que foram condenados. O tratamento penal de todos os cidadãos, arguidos e condenados, em condições de igualdade, o aprofundamento dos princípios de adequação e da proporcionalidade entre o facto ilícito cometido e a sanção aplicada e a efectivação dos objectivos de ressocialização das penas são vectores fundamentais de uma agenda estratégica da justiça de um Estado de direito democrático.