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TORRES, Nuno M. A química da dependência e as dependências-tóxicas. Para um modelo bio-psico-social Toxicodependências, Lisboa, V.9,n.1(2003), p.29-45 CONSUMO DE DROGA, DEPENDÊNCIA, ÓPIO, TOXICODEPENDÊNCIA Propõe-se um modelo biopsicossocial das toxicodependências, a partir do conceito de Pressuposto Básico de Dependência de Bion e de pesquisas neurobiológicas sobre o papel do sistema opióide endógeno na modulação tanto das ligações sociais como do efeito de drogas. É revista a evidência disponível de que: a) o sistema opióide endógeno intervém na modulação dos subsistemas socio-emocionais de dependência (aleitamento, attachment, afiliação social e crença religiosa); b) défices graves nestes subsistemas são factores de risco para as toxicodependências; c) várias substâncias psicoactivas (opiáceos, cocaína, etanol, cannabis, nicotina) exercem efeito no sistema opióide endógeno. Os comportamentos aditivos são considerados como decorrentes de um impasse biopsicológico, resultante: a) da pressão do sistema opióide endógeno para aumentar a dependência emocional (via ansiedade de separação e sentimento de desamparo), e b) da pressão motivacional para a independência, devido ao contacto social stressante (attachment inseguro, défices na afiliação social). O abuso de substâncias substitui quimicamente os efeitos da dependência emocional. |